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Autores

 

 

A

 

 

Alcobaça, Bernardo de, pseud. de Aguiar, Armando Borges de, e/ou Leal, Pedro Herculano de Morais; também tradutor

Ilustração orginal de Ramos Ribeiro para História ilustrada da guerra de 194

Ilustração orginal de Ramos Ribeiro para História ilustrada da guerra de 194

Bernardo de Alcobaça
(?, ? – ?, ?)

Embora não saibamos sem sombra de dúvida a que pessoa se refere, estamos sem dúvida perante um pseudónimo. O Dicionário de pseudónimos [1] aponta este nome, certamente uma homenagem ao monge cisterciense homónimo do século XV, como sendo utilizado por Armando Borges de Aguiar (1906-?) e/ou Pedro Herculano de Morais Leal.

Embora a Grande enciclopédia portuguesa e brasileira aponte Armando de Aguiar (jornalista nascido em 1906) como tendo escrito sob esse pseudónimo, as datas não coincidem com os registos de que dispomos, pois p.e. a História ilustrada da guerra de 1914 deverá ter sido editada provavelmente durante a própria guerra.

Assim, tratar-se-á quase de certeza de Pedro Herculano de Morais Leal, que é referido inclusive na obra Algumas achegas para uma bibliografia infantil (1928) como autor, noutras editoras, de A noiva de Pierrot e Tribunal em miniatura: comédia de um acto, sob o pseudónimo Bernardo de Alcobaça.

Para além de autor da obra sobre a Primeira Guerra Mundial, Bernardo de Alcobaça destacou-se na Romano Torres como importante tradutor de Salgari (entre outras, são suas as traduções de Os mistérios do Pólo Norte, 1921, e O último elefante branco, s.d.) e de alguns títulos da colecção «Azul», assim como por ter compilado as frases, pensamentos e episódios da Enciclopédia do Amor (última década do século XIX).

Afonso Reis Cabral

10-06-2014

 

Bibliografia activa

 

Encyclopedia do amor: colecção de phrases, pensamentos e anedotas…, [18--], recopilação feita dos melhores auctores por Bernardo de Alcobaça, Lisboa: Emp. Editora O Recreio.
Localização:        P. 6932 P. (BNP)

 

História illustrada da guerra de 1914, [191-] il. Ramos Ribeiro e Alfredo de Morais, Lisboa: João Romano Torres, 5 vols.
Localização:                       H.G. 5371-75 A. (BNP)

 

Os mistérios do Pólo Norte, 1921, Emílio Salgari, trad. Bernardo d’Alcobaça, Lisboa : João Romano Torres, 1921.
Localização:        L. 6965 P. (BNP)

 

O último elefante branco, [s.d.], Emílio Salgari, trad. Bernando d’Alcobaça, 2.ª ed., Lisboa: João Romano Torres & C.ª
Localização:        194/4 (Biblioteca da Academia das Ciências)

 

O mistério da dama do cinzento, [19--], Georges Ohnet, trad. de Bernardo de Alcobaça, colecção «Azul», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        B.R. 10897 (BNP)

 

A cidade do rei leproso, 1951, Emílio Salgari, 3.ª ed., Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 40042 P., L. 98511 P. e L. 98512 P. (BNP)

 

Bibliografia passiva

Andrade, Adriano da Guerra, 1999, Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses, Lisboa: Biblioteca Nacional, p. 19.

«Aguiar (Armando Borges de)», s.d., verbete in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, Act. 1, p. 143.

Marques, Henrique, 1928, Algumas achegas para uma bibliografia infantil, Lisboa: Gráfica da Biblioteca Nacional, p. 113 (cota F. 7048, BNP) .

 


[1] Vd. bibliografia

Almeida, A. Duarte de, 1879-1973, pseud. de Torres, Carlos Bregante, também Tradutor e Editor Literário

 

 

Bregante TorresA. Duarte de Almeida
 (Lisboa, 1879 – Lisboa?, 1973)

A. Duarte de Almeida, pseudónimo de Carlos Bregante Torres, foi uma figura basilar na Romano Torres, não só porque aí colaborou enquanto tradutor e editor literário, como também por participar activamente no negócio familiar da editora, já que era o filho primogénito de João Romano Torres.

A partir de 1907, ao ter-se tornado sócio da editora depois de alguns anos como gerente, a firma passou a tomar o nome João Romano Torres & C.ª.

Casou-se em 1900 com Palmira de Jesus Castelo Branco Lucas, de quem teve apenas uma filha. Foi comendador da Ordem de Benemerência da Cruz Vermelha Espanhola.

A sua actividade na editora sob o pseudónimo A. Duarte de Almeida foi intensa, contando com mais de 70 colaborações, com especial relevo para a Enciclopédia histórica de Portugal (1937), por si dirigida. Esta enciclopédia era composta por 12 volumes profusamente ilustrados. Dirigiu também A mulher médica na família: higiene e medicina pratica (1921) e várias obras de cariz histórico, como as que se inserem na colecção «Portugal Histórico» (por exemplo, Os últimos Braganças, de 1936).

Como tradutor, a obra que mais se destacou pelo elevado número de reimpressões (16) foi John, chauffeur russo, de Max du Veuzit, mas também traduziu títulos variados de diversos autores, desde Emílio Salgari a Perez Escrich.

 

Afonso Reis Cabral
4-12-2013

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)


Tradutor

A prosa da glória, [19--], Enrique Perez Escrich, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 14078 P. (BNP)

A mascara da vergonha, [D.L. 1923], Georges Ohnet, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 19625 P. (BNP)

O solar dos castanheiros: romance, [1939], Max du Veuzit, 2.ª ed., Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 32351 P. (BNP)

John, chauffeur russo: romance, 1942, Max du Veuzit, 4.ª ed., Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 34209 P. (BNP)

O rei da montanha, 1958, Emílio Salgari, 2.ª ed., colecção «Salgari» n.º 29, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 47518 P. (BNP), I82-3(08) SAL29 (Bibl. Públ. Penafiel)

Editor literário

A mulher medica na familia: hygiene e medicina pratica: obra elaborada segundo os melhores trabalhos dos especialistas modernos, 1921, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        S.A. 9086 V. (BNP); P-A-264 (Bibl. Pub. Mun. Porto)

Os últimos Braganças: reinados de D. Carlos e D. Manuel II, 1889-1910, 1936, colecção «Portugal Histórico», n.º 11, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        H.G. 24278 P. (BNP); 946.9″18″BRA (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); EG379XI (Bibl. Mun. de Elvas); 1332/11 (Biblioteca das Academia das Ciências de Lisboa)

Enciclopédia Histórica de Portugal, 1937, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        BNP: P. 11887 P. (1.º v.), P. 11888 P. (2.º v.), P. 11889 P. (3.º v.), P. 11890 P. (4.º v.), P. 11891 P. (5.º v.), P. 11892 P. (6.º v.), P. 11893 P. (7.º v.), P. 11894 P. (8.º v.), P. 11895 P. (9.º v.), P.11896 P. (10.º v.), P. 11897 P. (11.º v.), P. 11898 P. (12.º v.)

O Mestre de Aviz: romance histórico, 1940, Carlos Pinto de Almeida, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 33484 P. (BNP)

O medico da familia: obra elaborada segundo os melhores trabalhos dos especialistas modernos, [1942], Lisboa: João Romano Torres & Ca.
Localização: S.A. 16680 V. (BNP)

 

Bibliografia passiva

Andrade, Adriano da Guerra, 1999, Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses, Lisboa: Biblioteca Nacional, p. 19.

«Carlos de Bregante Torres», ficha genealógica no sítio GeneAll (última consulta a 6-12-2013).

Medeiros, Nuno, 2013, «João Romano Torres e C.ia: hermenêutica social de uma editora», Escola de São Paulo de estudos avançados sobre a globalização da cultura no século XIX (última consulta 5-12-2013).

«Recreio, Empresa Editora do», 1912, verbete in Portugal, dicionario histórico, chorographico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, vol. VI, Lisboa: João Romano Torres & C.ª – Editores, pp. 134-5

«Torres, João», 1915, verbete in Portugal, dicionario histórico, chorographico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, vol. VII, Lisboa: João Romano Torres & C.ª – Editores, p. 179.

«Torres, Lucas Evangelista», 1915, verbete in Portugal, dicionario histórico, chorographico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, vol. VII, Lisboa: João Romano Torres & C.ª – Editores, pp. 181-2.

 

 

Almeida, Carlos Pinto de, 1831-1899?

 

 

 

O mestre de Avis

O mestre de Avis, 1940 (fonte)

Carlos Pinto de Almeida (Lisboa, 1831 – Lisboa, 1899?)

 

Escassa informação sobre este autor. Terá nascido em Lisboa no ano de 1831. Francisco Inocêncio da Silva coloca-o por volta de 1870 como administrador do conselho da Golegã, apontando-lhe algumas obras já publicadas por essa altura. No entanto, admite «deficiências» no verbete que lhe dedica, porque se viu «obrigado a mendigar […] esclarecimentos»[1].

Assim, torna-se difícil definir o homem, embora seja possível definir o escritor através dos registos da BNP. Terá escrito principalmente romances históricos, sendo as suas obras mais destacadas A conquista de Lisboa (1866), O irmão do bastardo (1868), A filha do emir (1875), A infanta de Sevilha (1888) e O mestre da Avis (s.d., provavelmente anos 80 ou 90 do século XIX).

Morreu em 1899 sem ter colaborado em vida com a Romano Torres. Postumamente, em 1940, o seu romance histórico O mestre da Avis foi publicado por esta editora numa versão revista e anotada por A. Duarte de Almeida (pseudónimo de Carlos de Bregante Torres [2]), figura importante da casa como tradutor e editor literário.

Afonso Reis Cabral 29-11-2013

 

Bibliografia activa

O Mestre de Aviz: romance histórico, 1940, ed. rev. e anotada por A. Duarte de Almeida, Lisboa: João Romano Torres, 1940. Localização:          L. 33484 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Silva, Francisco Inocêncio da, 1870, Dicionário bibliográfico português, Lisboa: Imprensa Nacional, t. IX, p. 42-43 (fac-simile da INCM). Vieira, Pedro Almeida, resenha sobre a obra O mestre de Avis, no site Bibliohistória (última consulta a 29-11-2013).


[1] p. 43 (vd. bibliografia)
[2] Cf. resenha dedicada a este autor.

 

 

 

Amaral Júnior, João, 1899-?, também Tradutor

 

 

 

A legião maldita

A legião maldita, 1935

João dos Santos Amaral Júnior (Lisboa, 1899 – ?) Tal como Guedes do Amorim e Rocha Martins [1], não concluiu qualquer curso superior, sendo exemplo de mais um autodidacta de sucesso que colaborou com a Romano Torres.

Estreou-se antes dos 20 anos com o romance A ladra (1920), seguindo-se em 1923 novo romance intitulado Direito de viver com prefácio de Manuel Ribeiro. O Dicionário universal de literatura atribui ao bom acolhimento que teve destas primeiras obras o impulso que o levou a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Embora não tivesse sido jornalista, colaborou enquanto crítico literário com o jornal A República e dirigiu o quinzenário Novidades Literárias.

Curiosamente, o Dicionário universal de literatura aponta o seu pseudónimo George Lody como sendo autor da «tradução livre» de alguns escritores estrangeiros, indicando como exemplos disso mesmo as obras Legião maldita, Rússia negra, Sentinelas dos mares, Braseiro ardente, Soldado da sombra e Espiões da paz. Há clara confusão, visto que é o próprio João Amaral Júnior que se apresenta como tradutor de um alegado autor francês de nome George Lody, afinal seu pseudónimo. Este caso foi desconstruído por Maria de Lin Sousa Moniz no seu ensaio [2]. No entanto, o verbete do Dicionário universal de literatura, publicado em 1940, serve de exemplo para a confusão que à época havia relativamente à pseudotradução (Amaral Júnior não foi o único na Romano Torres, veja-se os casos de Guedes de Amorim e José Rosado).

A colaboração de Amaral Júnior na Romano Torres foi intensa, quer como autor, quer como tradutor. Para além de ter escrito os seis romances já referidos sob o pseudónimo de George Lody, que constituíram a colecção «Dramas de espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», escreveu também sob o pseudónimo de Fernando Ralph o livro O golpe alemão (1936), e no seu próprio nome Minha mulher vai casar (s.d.), O nosso amor não é pecado (s.d.), A mulher que jurou não ser minha (1936), etc.

Enquanto tradutor, dedicou-se especialmente a Max du Veuzit e Claude Jauniére.

Não se conseguiu apurar a data ou o local da sua morte.

Afonso Reis Cabral 6-12-2013

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

Minha mulher vai casar, [s.d.], colecção «Azul», Lisboa: Edição Romano Torres. Localização:        39/146 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

O nosso amor não é pecado, [s.d.], colecção «Azul», Lisboa: Edição Romano Torres. Localização:        39/149 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

A legião maldita: romance, [1935], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 1, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        820 LOD/G LEG (BNP) Sentinela dos mares: romance, [193-], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 2, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 26056 P. (BNP) A Rússia negra: romance, [193-], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 3, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 12055 V. (BNP) Braseiro ardente: romance, [193-], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 4, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        820 LOD/G BR (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) Soldados da sombra: romance, [193-], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 5, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 26389 P. (BNP) Espiões da paz: romance, [193-], pseud. George Lody, colecção «Dramas da espionagem: as aventuras dos mais célebres espiões internacionais», n.º 6, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 12106 V. (BNP), 820 LOD/G PAZ (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) A mulher que jurou não ser minha, 1936, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 28469 P. (BNP) O golpe alemão: documentário da actualidade, 1936, pseud. Fernando Ralph, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 24295 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Moniz, Maria Lin de Sousa, «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system», Estudos de tradução em Portugal: Livros RTP-biblioteca básica Verbo – II / Colóquio Traduções no Coleccionismo Português do Século XX, realizado na Universidade Católica Portuguesa em 24 e 25 de Novembro de 2005, org. Teresa Seruya, Lisboa: Universidade Católica Editora, 2007, pp. 201-207. Perdigão, Henrique, 1940, «Amaral Júnior, João», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, pp. 839-40.


[1] Cf. resenhas dedicadas a estes autores.
[2] Cf. bibliografia.

 

 

 

Amaral, Antero do, também Ilustrador

Diabruras

Ilustração original (arquivo histórico Romano Torres)

Antero do Amaral
(? – ?)

     Embora não contemos com informação mais detalhada sobre este autor, terá nascido na primeira metade do século XX.

     Foi um colaborador relevante da Romano Torres na área da literatura infantil, pois não só escreveu várias histórias da colecção «Manecas» como ilustrou as de outros autores.

     Estreou-se em 1945 com As diabruras do Manecas, em que piscou o olho à própria génese da colecção estreada nos anos 20 com edição literária de Henrique Marques Júnior, justamente intitulada «Manecas». Nesta obra, Manecas é um rapaz que não consegue evitar as diabruras. O arquivo histórico da Romano Torres dispõe das ilustrações originais desta obra, algumas das quais aqui reproduzimos (poderá também consultar a página do arquivo histórico).

    Em 1946, prosseguiu a sua colaboração na colecção «Manecas» com A lenda do cisne vermelho, ilustrada por José Félix, que contou com três reedições (1950, 1955 e 1969).

            Como desenhador, Antero do Amaral colaborou na obra O príncipe mudo (1955), de Arlete de Oliveira Guimarães.

A última obra de sua autoria foi o conto infantil Os três peixinhos aventureiros (1955), cujas ilustrações também constam no arquivo histórico.

 

Afonso Reis Cabral
6-5-2014

 

Bibliografia activa

As diabruras do Manecas, 1945, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres.
Localização:    L. 37106//3 P. (BNP)

A lenda do cisne vermelho, 1946 (reed. 1950, 1955 e 1969), des. José Félix, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres.
Localização:    L. 37758//4 P. (BNP)

O príncipe mudo: novela, 1955, Arlete de Oliveira Guimarães, des. Antero do Amaral, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres.
Localização:    L. 43858//6 P. (BNP) e 869-A 4408 (C.M. Oeiras – Bibl. Municipal de Algés)

Os três peixinhos aventureiros: conto infantil, 1955, il. de Amorim, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres.
Localização:    L. 39791//1 P. e L. 43858//1 P. (BNP); 869-A 4403 (C. M. Oeiras – Bibl. Municipal de Algés)

Ameal, João, 1901-1982

 

 

 

João Ameal

João Ameal (foto gentilmente cedida pela filha do autor, Leonor Ameal)

João Ameal (Coimbra, 1901 – Lisboa, 1982) Conhecido principalmente pela sua carreira de historiador, João Ameal, pseudónimo de João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos, foi 2º visconde e 3º conde do Ameal. Neto do coleccionador de arte João Maria Correia Ayres de Campos, 1º conde do Ameal. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa e notabilizou-se, para além da sua carreira literária, como deputado monárquico pela Assembleia Nacional entre 1942 e 1957 e também Procurador à Câmara Corporativa. Integrou movimentos de cariz monárquico como a Acção Realista Portuguesa. Enquanto jornalista e cronista, colaborou com os jornais Diário da Manhã, Diário de Notícias e Noite, entre outros. A sua obra pertence essencialmente à historiografia (São Tomás de Aquino [1938], História de Portugal [1940], História da Europa em cinco volumes [1961-1984]), mas também escreveu novelas como Os olhos cinzentos (1922), Os noctívagos (1924) e Aparições (1932), todas no início da carreira. A sua colaboração com a editora Romano Torres cinge-se à obra As criminosas do Chiado [1], escrita em colaboração com Luís de Oliveira Guimarães, que também se notabilizou como historiador, em especial na própria Romano Torres, onde publicou biografias sobre Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Bocage, Camões, etc.

Afonso Reis Cabral 9-11-2013

 

Bibliografia activa

As criminosas do Chiado, 1925, co-autor Luís de Oliveira Guimarães, Lisboa: João Romano Torres Localização:        L. 30727 P. (BNP); BB 9523 (Fund. Calous. Gulb. Bibl. Arte); CC 77 (Museu de Setúbal Convento de Jesus)

Bibliografia passiva

«Ameal, João», verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, 1997, pp. 121-122.


[1] Para mais informações sobre esta obra, cf. resenha dedicada a Luís de Oliveira Guimarães.

 

 

 

Amorim, António Guedes de, 1901-1979, também Tradutor

 

 

 

Guedes de Amorim

Guedes de Amorim

António Guedes de Amorim (Peso da Régua, 1901 – Lisboa, 1979)   Típico exemplo do autodidacta, António Guedes de Amorim nasce no Peso da Régua numa família de origens humildes. Abandona a escolaridade ao concluir o ensino primário, empregando-se na indústria de fazendas na Régua. Aos dezasseis anos muda-se para o Porto para trabalhar no mesmo ramo, mas nessa cidade inicia a carreira à qual dedicaria toda a sua vida, jornalista e escritor. Colabora assiduamente em publicações como Jornal de Notícias, Tribuna, Montanha e Diário do Porto. Já nesta altura, antes de se mudar para Lisboa (em 1934 ou 1935), Guedes de Amorim era considerado um jornalista prolífico e um defensor daqueles que partilhavam com ele as origens humildes: «Encontro-me voltado, desde a infância, para as dores alheias e obrigações de fraternidade»[1]. Em Lisboa, continua a sua carreira nos jornais ABC, Novidades, Diário Liberal, Diário da Manhã, Vida Mundial e Século, mas é no periódico Século Ilustrado que vem a publicar a maioria dos seus textos. Estreia-se com o romance A bailarina negra (Imprensa Nacional de Publicidade, 1931) seguindo-se Al Capone: rei dos bandidos de Chicago (1932), Mofina: novela (1932) e A mulher do próximo: novela (1933), este já na editora Romano Torres. Em 1939 publica a sua obra de maior projecção, Aldeia das águias, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros. Como nos diz o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, «o cristianismo inicial, o agnosticismo e a reconversão final [de Guedes de Amorim] foram etapas interiores que determinaram, claramente, as formas e os conteúdos do seu labor literário»[2]. Mesmo quando se dedica à ficção sensacionalista, como em Al Capone, não se afasta da sua paixão pelas «paisagens humanas» e pela «contestação social»[3]. Numa entrevista a Lopes de Oliveira, confessa que os seus livros «são espelho dos que vêm de baixo, dos que carregam hereditariedades de infortúnio e não viram ainda o sol da ventura»[4], daí a forte propensão para a descrição do meio rural. Mais próximo do fim da vida, Guedes de Amorim dedica-se a temas que expressam o regresso ao cristianismo que abandonara na juventude. As obras Francisco de Assis renovador da humanidade (1963) e Jesus passou por aqui (vencedor do Prémio Cervantes, 1963) são exemplos claros deste percurso. Para além dos temas rurais e de contestação social, Guedes de Amorim destacou-se pelas suas biografias romanceadas, nomeadamente: Pétain (1940), Knox (1960), e Mary Jane Wilson, a irmã de S. Francisco (1975). Morreu em 1979, tendo ainda colaborado em 1975 na obra Portugal, república socialista?. O seu percurso na Romano Torres é muito breve mas significativo, não só porque é nesta editora que publica algumas das obras de início de carreira, como o fez nalguns casos sob pseudónimo, num claro exemplo de pseudo-tradução. Sob o seu nome, Guedes de Amorim publica na casa Romano Torres as obras Morfina: novela (1932) e A mulher do próximo: novela (1933) apenas um e dois anos, respectivamente, depois de dar ao prelo o seu primeiro livro. Sob o pseudónimo Edgar Powell, publica Al Capone (1932) e Escravas modernas: romance (sem data apurada), fazendo-se passar por tradutor. Tal como João Amaral Júnior e José Rosado, entre outros, «the writer hides him/herself behind the mask of a pseudonym and the mask of translation»[5]. Esta particularidade talvez se explique não só pelo contexto da própria editora, que incentivava à publicação de obras de cariz popular que poderiam não se enquadrar nos planos literários do próprio autor, mas também pelo desejo de se afirmar como presença regular no meio editorial e, claro, ganhar o sustento de que naturalmente precisava. Porém, segundo os nossos registos, a colaboração de Guedes de Amorim na editora Romano Torres fica-se por estas quatro obras, tendo o autor continuado a publicar em diversas casas ao longo da sua vida como a Editorial Progresso, Civilização, Minerva, entre muitas outras.

Afonso Reis Cabral 9-11-2013

 

Bibliografia activa

Al Capone: rei dos bandidos de Chicago, [D.L. 1932], pseud. Edgar Powell, trad. Guedes de Amorim, Lisboa: João Romano Torres Localização:        L. 24325 P. (BNP) Morfina: novela, 1932, Lisboa: João Romano Torres Localização:        L. 24561 P. (BNP); 869 AMO MOR (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) A mulher do próximo: novela, 1933, Lisboa: João Romano Torres & Ca Localização:        L. 25275 P. (BNP); L. 25382 P. (BNP); L. 26015 P. (BNP) Escravas modernas: romance, [19--], pseud. Edgar Powell, versão livre de Guedes de Amorim, Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        L. 75113 P. (BNP); L. 103130 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Amorim, António Guedes de», verbete in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, 1997, pp. 81-82. «António Guedes de Amorim», in Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013 (última consulta a 08-11-2013). «Guedes de Amorim», Ciclos – Contistas da Ruralidade Transmontana e Alto-Duriente, s.a., (última consulta a 2013-11-08) Moniz, Maria Lin de Sousa, «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system», Estudos de tradução em Portugal: Livros RTP-biblioteca básica Verbo – II / Colóquio Traduções no Coleccionismo Português do Século XX, realizado na Universidade Católica Portuguesa em 24 e 25 de Novembro de 2005, org. Teresa Seruya, Lisboa: Universidade Católica Editora, 2007, pp. 201-207. Perdigão, Henrique, 1940, «Guedes de Amorim, António», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 852.


[1] Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, p. 81 (vd. bibliografia).
[2] Ibid.
[3] Ibid.
[4] Ciclos – Contistas da Ruralidade Transmontana e Alto-Duriente (vd. bibliografia).
[5] Maria Lin de Sousa Moniz, «A case of pseudotranslation in the Portuguese literary system», pp. 202-203 (vd. bibliografia).

 

 

 

Ávila, Artur Lobo de, 1855-1945

 

 

Artur Eugénio Lobo de Ávila

Artur Eugénio Lobo de Ávila

Artur Eugénio Lobo de Ávila (Lisboa, 1855 – Lisboa, 1945)

Filho do general Francisco de Paula Lobo de Ávila, nasceu em Lisboa em 1855. Notabilizou-se como dramaturgo, jornalista e historiador. A sua carreira decorreu na administração pública, tendo chegado a director da Alfândega de Lisboa. Ingressou no Curso Superior de Letras e era tido como aluno brilhante, porém não terá concluído os estudos. Estreou-se com as comédias Uma noiva no prego (1879) e Empenho político (1880). Depois destas, optou pelo teatro de reconstituição histórica sem grande sucesso (apenas as peças Malhados [1902] e O coração de Bocage [1905] foram à cena).

Alcançou maior sucesso como autor de folhetins e romances históricos, alguns dos quais publicados na Romano Torres, como veremos. Embora só tenha três obras na editora, ganham especial relevância por terem sido publicadas num período inicial, na passagem do século XIX para o século XX, e por se integrarem num subgénero literário muito prestigiado em Portugal, o romance histórico. Pode mesmo dizer-se que esta aposta já demonstrava as directrizes editoriais de divulgação histórica que a casa assumiria durante toda a sua existência. A primeira obra publicada pela Romano Torres (A descoberta e conquista da Índia pelos portugueses: romance histórico, 1898) saiu por ocasião do 4º centenário da descoberta da Índia. Ainda no século XIX, publicou Os amores do príncipe perfeito: romance histórico. Embora não tenhamos data definitiva para esta obra, sabemos que saiu na última década desse século. Seguiu-se, por fim, Os caramurus: romance histórico da descoberta e independência do Brasil [1900], também na senda do ciclo comemorativo dos descobrimentos de fin-de-siècle. Cessou a sua colaboração com a Romano Torres, mas prosseguiu a carreira literária com O rei magnífico (1911), Nos bastidores do jornalismo (1946), entre outros. Postumamente saiu o volume Memórias (1946).

Afonso Reis Cabral 15-11-2013

 

Bibliografia activa

A descoberta e conquista da Índia pelos portugueses: romance histórico, 1898, ed. Comemorativa do IV centenário da descoberta da Índia, Lisboa: João Romano Torres Localização: 3F3-24 (Biblioteca Central da Marinha); 869.0-31 Avila AVI (Univ. Coimbra Bibl. Geral) Os amores do príncipe perfeito: romance histórico, [189-], Lisboa: João Romano Torres Localização: L. 15021 V. (BNP); S22-04 (Biblioteca Central da Marinha)

Os caramurús : romance histórico da descoberta e independência do Brasil, [1900], Lisboa: João Romano Torres Localização: 869 AVI CAR (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); CP-LP66 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); CP-LP2631 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II)

Bibliografia passiva

«Ávila, Artur Eugénio Lobo d’», 1990, verbete in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 370-371. Carvalho, José Adriano de Freitas Carvalho, 2004, «Artur Eugénio Lobo de Ávila», in História e literatura – actas do colóquio internacional, vol. I, pp.127-132, disponível online em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6793.pdf (última consulta a 15-11-2013). Melo, Daniel, 2013, «O intelectual no seu labirinto: alta cultura, romance moderno e nacionalismo no tardo-oitocentismo português», in Romance studies, vol. 31, n.º 2, pp. 123-135.

 

 

 

B

 

 

Batalha, Ladislau, 1856-1939

 

 

 

Ladislau Batalha

Ladislau Batalha

Ladislau Estêvão da Silva Batalha (Lisboa, 1856 – Arruda dos Vinhos, 1939)

Ladislau Batalha poderia ter sido uma personagem de um livro de aventuras.

Novo, embarcou como tripulante na marinha mercante, tendo percorrido os mares do norte. Nesta condição, conheceu especialmente os Estados Unidos da América, o Japão, a China e o Ceilão. Trabalhou também como taxidermista em África e como gravador de vidro em São Tomé e Príncipe. A sua experiência dos mares e o trato com inúmeros povos deu-lhe vastos conhecimentos, tanto de línguas como de costumes e culturas, de tal modo que, voltando a Portugal, se tornou professor do ensino secundário sem qualquer curso superior. As suas aventuras no alto mar e em terras longínquas permitiram-lhe também escrever obras como Línguas de África (1889), Costumes angoleses (1890) e O Japão por dentro (1904), entre outros. Enquanto militante activo do partido socialista de então, escreveu obras de cariz político como A burla capitalista (1897) e Pátria e conversão (1898), tendo igualmente proferido várias conferências. Colaborou como redactor com vários jornais portugueses (Diário de Notícias, A Vanguarda, etc.) e estrangeiros (p.e., El Socialista). Em 1919, acolheu em sua casa o poeta Gomes Leal, que, semilouco, passeava pelas ruas de Lisboa em quase mendigagem. Foi aliás em sua casa que Gomes Leal acabou por morrer em 1921. Sobre esta experiência, Ladislau Batalha escreveu o livro de memórias Gomes Leal na intimidade (1933), e encontrava-se a escrever Gente da nossa terra, outro livro de memórias sobre os seus conhecimentos no meio literário, quando morreu em 1939. A sua obra ficcional cinge-se a três romances (Misérias de Lisboa, 1892-1893, Mistérios da loucura, 1890-1891, e Florêncio, 193-) e duas peças de teatro (A miséria e Consequências de um sim). Embora apenas o romance Miséria de Lisboa esteja catalogado na BNP como inequivocamente pertencendo à Romano Torres, é certo que os tomos três e quatro de Mistérios da loucura, que contava com quatro volumes, foram também editados pela Romano Torres. O primeiro foi-o pela Tipografia Phenix e o segundo pela Companhia Nacional Editora. Isto talvez se explique porque ambos os romances foram primeiro publicados em folhetim e só depois levados à editora para publicação. Neste contexto, é natural que os primeiros volumes da obra Mistérios de loucura, a primeira a ser editada, tenham sido publicados por editoras diferentes. Ladislau Batalha estaria com certeza à procura de uma editora que lhe desse as melhores condições, e só a encontrou no terceiro volume desta obra, quando entregou os folhetins à Romano Torres. Certo é que o seu segundo romance, que também veio a público em folhetim, foi entregue integralmente à Romano Torres para publicação. Jacinto Rodrigues caracteriza ambos os romances como herdeiros «da literatura de cordel do séc. XVII e XVIII» e como contributo importante para o movimento dos romances populares de aventura da segunda metade do século XIX, que «constituíram uma importante fonte de mudança de costumes e atitudes» [1].

Afonso Reis Cabral 26-11-2013

Bibliografia activa

Mysterios da loucura: romance portuguez, 1890-1891, 4 vol., Lisboa: Typ. Phenix (1.º vol., 1890), Lisboa: Companhia Nacional Editora (3.º vol., 1890), Lisboa: João Romano Torres (3.º e 4.º vols., 1891). Localização:        CP-LP1060, P-LP106, CP-LP1062 e CP-LP1063 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II)   Misérias de Lisboa: romance da actualidade, [1892-1893], 6 vols., Lisboa: João Romano Torres Ed. Localização:        CP-LP1068 e CP-LP1069 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II)

Bibliografia passiva

«Batalha, Ladislau Estêvão da Silva», 1990, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 388-389. Melo, Daniel, Abril de 2013, «O intelectual no seu labirinto: alta cultura, romance moderno e nacionalismo no tardo-oitocentismo português», in Romance Studies, vol. 31, nº 2, pp. 123-135. Rodrigues, Jacinto, 2004, «A especificidade do imaginário colonial nos romances de aventuras de Ladislau Batalha», in Africana Studia, Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pp. 277-297, disponível online em http://www.africanos.eu/ceaup/uploads/AS07_277.pdf (última consulta a 26-11-2013). Resenha bibliográfica no sítio da internet Vinculados ao Barreiro (última consulta a 26-11-2013).


[1] Cf. «A especificidade do imaginário colonial nos romances de aventuras de Ladislau Batalha», pp. 277-278 (vd. bibliografia).

 

 

 

 

 

C

 

 

Campos Júnior, António Maria de, 1850-1917

 

 

 

Campos Júnior

Campo Júnior

António Maria de Campos Júnior (Angra do Heroísmo, 1850 – Marinha Grande, 1917) Açoriano de nascimento, mudou-se com oito anos para Leiria, onde acaba por ingressa na carreira militar. É transferido para Lisboa por intervenção do seu amigo Afonso Xavier Lopes Vieira, pai do poeta Afonso Lopes Vieira. É ainda em Leiria que escreve O marechal Saldanha: ontem e hoje (1870), mas só em Lisboa a sua carreira literária tem espaço para crescer. Na capital, filia-se primeiro no Partido Regenerador e depois na Esquerda Dinástica, empregando-se também como redactor nos jornais Diário de Notícias, Revolução de Setembro e principalmente O Século. Este último publica muitas das suas obras em folhetim antes de o serem em livro. Dedica-se quase exclusivamente à história, embora tenha escrito a peça Torpeza (1891) sobre o Ultimato inglês de 1890. Os seus romances ficcionalizam acontecimentos e personagens importantes da história portuguesa, nomeadamente: O marquês de Pombal (Tipografia da Empresa do jornal O Século [1899]), Luís de Camões (Tipografia da Empresa do jornal O Século [1900]), Guerreiro e monge (Tipografia da Empresa do jornal O Século [3.ª ed. 1901]), etc. Casa-se com D. Maria das Dores Ferreira, natural da Marinha Grande, e volta a Leiria, onde dirige o semanário Distrito de Leiria. Depois da implantação da República muda-se por fim para a Marinha Grande. Publicou apenas uma obra em vida na Romano Torres, o romance histórico A rainha-madrasta (1911). Postumamente, muitos dos romances históricos que haviam sido publicados na tipografia de O Século, como O guerreiro e monge, são reeditados pela Romano Torres. Entre outros, destacam-se A ala dos namorados (1920), A filha do polaco (1926), Luís de Camões (1929). Estas reedições tiveram um público favorável e constante, visto que se prolongaram até 1965, sendo esta a data da última reedição de A ala dos namorados. A julgar pelo que nos diz a Ilustração Portuguesa de 24 de Setembro de 1917 pouco depois da sua morte, sofreu provavelmente de Alzheimer nos últimos anos de vida: «Pode dizer-se que o matou um excesso de trabalho intelectual. Ultimamente a amnésia, consequência talvez desse excesso, era tal que ele, que tanto facto, tanta data, e tanto detalhe fixou da nossa história, nem se recordava das letras com que escrevia o seu nome, sendo necessário que alguém o escrevesse por ele nos documentos que tinham que levar a sua assinatura»[1].

Afonso Reis Cabral 14-11-2013

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

A rainha-madrasta: romance histórico, 1911, Lisboa: João Romano Torres, 2 vol. (ao primeiro volume faltam 76 páginas). Localização: 821.134.3-3 CAM (C.M. Tondela – Biblioteca Tomás Ribeiro); L. 25837 P. (BNP [ed. sem data, possivelmente 1.ª ed.]) A ala dos namorados: romance histórico, 1920, Lisboa: João Romano Torres. Localização: 5L6-10 (Biblioteca Central da Marinha) A filha do polaco: romance histórico, 1926, Lisboa: João Romano Torres, 4 vol. Localização: L. 30514 P. (BNP); L. 30515 P. (BNP); L. 30516 P. (BNP); L. 30517 P. (BNP); 869 CAM POL (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) Luiz de Camões: romance histórico, [1929], Lisboa: João Romano Torres & Ca, 4.ª ed., 4 vol. Localização: L. 22706 P. (BNP) Guerreiro e monge: romance histórico, [D.L. 1932], Lisboa: João Romano Torres, 2 vol. Localização: L. 24310 P. (BNP); L. 24311 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«António Maria de Campos Júnior», in Ilustração Portuguesa, 24-09-1917 (última consulta em 14-11-2013).

«António Maria de Campos Júnior», artigo da responsabilidade do Município da Marinha Grande (última consulta em 14-11-2013).


[1] Vd. bibliografia.

 

 

 

Campos, Valeriano de

 

 

 

Em breve

 

 

 

Carvalho, Ruy L.F. de

 

 

 

Em breve

 

 

 

Castro, Ferreira de, 1898-1974

 

 

 

Ferreira de Castro

Ferreira de Castro

José Maria Ferreira de Castro (Oliveira de Azeméis, 1898 – Porto, 1974) Ferreira de Castro é talvez, de todos os colaboradores da Romano Torres, aquele que é mais facilmente reconhecido pela generalidade do público. Emigrou para o Brasil, mais precisamente para a Amazónia, com 13 anos, onde viveu quase até ao fim da adolescência. Esta experiência foi posteriormente usada como base da sua obra mais conhecida, A selva (1930). Antes de regressar a Portugal com 19 anos, tentou singrar como jornalista no Pará. Pertenceu ao grupo anarco-sindicalista que dirigia o jornal A Batalha, colaborando com textos para o suplemento literário, a revista Renovação. Escreveu também para a revista ABC, fundada e dirigida por Rocha Martins [1]. A partir de 1922 começou a publicar livros de ficção com Mas…, mais tarde excluído da sua bibliografia, que conta com títulos como Emigrantes (1928), A selva (1930), Eternidade (1933), Tempestade (1940), A missão (1954), etc. A sua obra é considerada como percursora do neo-realismo. Em 1928, fundou com Campos Monteiro a revista Civilização. Em 1935, sucedeu a Rodrigues Lapa na direcção do semanário O Diabo. Por esta altura já havia publicado A selva, que lhe valeu reconhecimento alargado em Portugal e no estrangeiro, com traduções em pelo menos 15 línguas. Colaborou com a Romano Torres apenas como prefaciador da obra Luzes da cidade (1936), de Aníbal André. Foi um viajante regular, publicando livros ricamente documentados sobre os locais que visitava.

Afonso Reis Cabral 29-11-2013

 

Bibliografia activa

Luzes da cidade, 1936, Aníbal Nazaré, pref. Ferreira de Castro, Lisboa: Romano Torres. Localização:        EG1309 (Bibl. Mun. de Elvas)

Bibliografia passiva

«Castro, José Maria Ferreira de », 1994, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. III, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 521-522.


[1] Cf. verbete dedicado a este autor.

 

 

 

Costa, Júlio de Sousa e, 1878-1935

 

 

 

Ramalho Ortigão: memórias do seu tempo

Ramalho Ortigão: memórias do seu tempo, 1946

Júlio de Sousa Dias da Costa (Figueira da Foz, 1878 – Lisboa, 1935)

Caracterizado na sua época como possuidor de «invulgares qualidades de trabalho e, sobretudo, de uma probidade literária que se impõe dominadoramente à consideração de todos» [1], Júlio Dias da Costa nasceu na Figueira da Foz, mas cedo se mudou para Lisboa, onde se formou em direito. Fez carreira como escrivão do Tribunal da Relação de Lisboa. Notabilizou-se principalmente como reputado camiliano, dedicando-se à divulgação da obra de Camilo através do seu tratamento e compilação. A sua publicação mais importante foi os cinco volumes de Dispersos de Camilo (1.º, 2.º e 3.º volumes dedicados às crónicas, 4.º volume aos artigos e 5.º volume aos romances). Proferiu também palestras e escreveu diversos artigos sobre Camilo, entusiasmo partilhado por Oldemiro de César Lima [2], que também colaborou com a Romano Torres. Curiosamente, as três obras de sua autoria publicadas na Romano Torres foram-no a título póstumo, já que a primeira (Memórias do capelão dos Marialvas) data de 1940, cinco anos após a sua morte. As restantes (O segredo de Dom Pedro V, 1941, e Ramalho Ortigão, memórias do seu tempo, 1946) incluem-se também na historiografia.

Afonso Reis Cabral 19-12-2013

  Bibliografia activa Memórias do capelão dos Marialvas, 1940, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 26171 P. e H.G. 26708 P. (BNP); G. 49 (UNL – Cent. Est. Anglo-Portugueses) O segredo de Dom Pedro V (1837-1861), 1941, Lisboa: Romano Torres. Localização:        H.G. 26399 P. (BNP) Ramalho Ortigão: memórias do seu tempo, 1946, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 37787 P. (BNP)   Bibliografia passiva Perdigão, Henrique, 1940, «Dias da Costa, Júlio», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 666.


[1] in Dicionário universal de literatura, p. 666 (vd. bibliografia).
[2] Cf. resenha dedicada a este autor.

 

 

 

 

 

D

 

 

Dias, Augusto Costa

 

 

 

Em breve

 

 

 

Domingues, Mário José, 1899-1977, também Tradutor

 

 

 

Mário Domingues

Mário Domingues

Mário Domingues (Ilha do Príncipe, 1899 – Caparica, 1977) Nascido em 3 de Julho de 1899, Mário José Domingues era filho de António Alexandre José Domingues e de uma senhora natural de Angola conhecida por Monga. Mulato e membro de uma família sem posses, Mário Domingues viu-se obrigado a deixar muito novo a Ilha do Príncipe e a roça Infante D. Henrique, onde nascera, para se mudar para Lisboa. Frequentou a Escola Estefânia, fundada e gerida por Agostinho Portela, onde teve colegas como Artur Portela, Severo Portela e Edgard Marques. Terminou o curso de comércio no Colégio Francês. Estreou-se na revista Alba, efémera publicação de estudantes de Medicina apresentada por Júlio Dantas. Para se sustentar, trabalhou como ajudante de guarda-livros, posição que abandonou em finais de 1919 para se dedicar ao jornalismo a tempo inteiro. A partir desta data, vemo-lo como colaborador assíduo em vários periódicos desempenhando as mais variadas funções, nomeadamente redactor, chefe de redacção e director. De entre outros periódicos, destacam-se A Batalha, Século (edição da tarde), Tarde, Renovação, Primeiro de Janeiro, Repórter X, Magazine Bertrand, etc. Funda e dirige o jornal O Detective. Mário Domingues é dos poucos autores da sua época que se podia gabar de viver exclusivamente da escrita antes mesmo de atingir os trinta anos, mas só a partir de 1947, com a publicação de O cavaleiro, o monge e o outro (Enciclopédia), que se dedica à escrita literária com mais enfoque. Enquanto escritor, é descrito numa resenha biobibliográfica presente no espólio da Romano Torres como trabalhando «isoladamente, fora e acima de capelanias literárias e de todos os partidarismos políticos, rácicos ou religiosos, embora muito interessado na observação e no estudo de todos esses aspectos da vida humana» [1]. José Luís Garcia retrata-o como uma voz constante contra o colonialismo, nomeadamente contra as condições de trabalho em São Tomé e Príncipe: «Nas ilhas de São Tomé e Príncipe recrimina a deslocação de dezenas de milhares de africanos de outras terras – recorde-se que a sua mãe foi uma das vítimas deste destino – para o trabalho forçado nas fazendas (cultivavam o cacau que era exportado para as fábricas europeias de chocolate), os castigos corporais, as explorações, as perseguições, o analfabetismo, não sem antes deixar um aviso sobra a inevitabilidade da revelação dos factos» [2]. A obra assinada com o seu nome tem cariz essencialmente de divulgação histórica, porém escreveu dezenas de livros policiais e de aventura sob vários pseudónimos como Philip Gray e Henry Dalton (a dupla responsável por vários policiais), James Black, Marcel Durand, etc., nenhum dos quais na Romano Torres. Mário Domingues dedica a esta editora algumas das suas principais obras autónimas a partir de 1951, assim como a tradução de clássicos da literatura inglesa de Charles Dickens, Walter Scott, Roger Bourgeon e Wilkie Collins. A sua colaboração na Romano Torres começa justamente com A vida grandiosa do condestável: evocação histórica (1951), obra de divulgação histórica que marcará o tom das restantes obras de sua autoria. Destacam-se, durante mais de vinte anos, O drama e a glória do padre António Vieira (1952), O infante D. Henrique: o homem e a sua época, evocação histórica (1957), Inês de Castro na vida de D. Pedro: evocação histórica (1961), O marquês de Pombal: o homem e a sua época (1963), A revolução de 1640 e as suas origens: evocação histórica (1970) e Liberais e miguelistas (1974). Os seus livros tiveram forte acolhimento por parte do público, sendo reeditadas diversas vezes, principalmente as evocações históricas incluídas na «Série Lusíada». O Dicionário cronológico de autores portugueses classifica a sua escrita como «despretensiosa, didáctica e,      quando lhe era possível, eivada da ideologia anarco-sindicalista aprendida nos tempos heróicos de A Batalha» [3]. Mais recentemente, a sua obra está a ser reeditada pela Prefácio.

Afonso Reis Cabral 14-11-2013

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

Tradutor O diamante da lua, 1956, Wilkie Collins, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L.44883P. (BNP) As aventuras extraordinárias do senhor Pickwick, 1953, Chalres Dickens, Lisboa: Romano Torres Localização:        L. 42006 P. (BNP); L. 95326 P. (BNP) David Copperfield, 1954, Charles Dickens, Lisboa: Romano Torres Localização:        L.42698 P. (BNP) Autor A vida grandiosa do condestável: evocação histórica, [1951], Lisboa: Romano Torres Localização:        H.G. 32234 P. (BNP); L. 39777 P. (BNP); EG838 (Bibl. Mun. de Elvas); 1.101.36 (Biblioteca da Academia das Ciências) O drama e a glória do padre António Vieira, 1952, Lisboa: Romano Torres Localização:        H.G. 28364 P. (BNP) O infante D. Henrique: o homem e a sua época, evocação histórica, 1957, Lisboa: Romano Torres Localização:        H.G. 29652 P. (BNP); H.G. 35979 P. (BNP) Inês de Castro na vida de D. Pedro: evocação histórica, 1961, Lisboa: Romano Torres Localização:        H.G. 31744 P. (BNP) O marquês de Pombal: o homem e a sua época, 1963, Lisboa: Romano Torres Localização:        H.G. 31850 P. (BNP); 92-A 891 (C.M. Oeiras – Bibl. Municipal de Algés) A revolução de 1640 e as suas origens: evocação histórica, 1970, Lisboa: Livr. Romano Torres Localização: H.G. 27521 V. (BNP)

Bibliografia passiva

«Nota bio-bibliográfica», in maço 63 do espólio da Romano Torres, CHC «Domingues, Mário José», 1994, verbete in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. III, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 402-403. Garcia, José Luís, 2012, «Um mulato contra o império português. Descobrir Mário Domingues no século XXI», in Estado, regimes e revoluções: estudos em homenagem a Manuel de Lucena, Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais, pp. 457-483.


[1] Maço 63 do espólio da Romano Torres (vd. bibliografia).
[2] José Luís Garcia, «Um mulato contra o império português. Descobrir Mário Domingues no século XXI», p. 464 (vd. bibliografia).
[3] Dicionário cronológico de autores portugueses, p. 403 (vd. bibliografia).

 

 

 

 

 

F

 

 

Falk, John S.

 

Pseudónimo de Maria Amália Marques (1914 – ca. 1985). Vd. resenha dedicada a esta autora.

 

Ferreira, Antónia Leyguarda, 1897- ca.1965/6, também Tradutor

 

 

 

Vasco da Gama

Vasco da Gama e a sua viagem maravilhosa, 1956

Antónia Leyguarda Pimenta da Silva Ferreira (Lisboa, 1897 – ?, ca. 1965/66) Leyguarda Ferreira notabilizou-se como escritora e tradutora. Ao contrário de quase todos os outros colaboradores da Romano Torres [1], Leyguarda Ferreira escreveu e traduziu exclusivamente para esta editora, contando com mais de 400 colaborações. Foi também editora literária, tendo sucedido a Henrique Marques Júnior na direcção da colecção infantil «Manecas». Concluiu o curso de Magistério Primário e foi professora antes de entrar como funcionária para o Ministério da Marinha. A sua experiência no ensino ter-lhe-á dado especial apetência para a literatura infantil, na qual se veio a impor como autora destacada. Colaborou no periódico infantil O Senhor Doutor, no qual se estreara em 1938 outra autora da Romano Torres, Arlete de Oliveira Guimarães [2]. É nesta década que começa a escrever e traduzir para a Romano Torres, sendo provável – a julgar pela colaboração intensa e extensa – que a dada altura tenha abandonado o trabalho de funcionária pública para se dedicar exclusivamente à escrita. Entre outras, destacam-se as obras infanto-juvenis incluídas na colecção «Manecas», como O príncipe morcego e outros contos (1934), Novas aventuras da Branca de Neve (1942) e O milagre de Fátima (1943), e as traduções (muitas vezes, adaptações livres) de autores espanhóis, ingleses, franceses e italianos, como Magali, Louis Derthal, Emílio Salgari, Walter Scott e Max du Veuzit. Tem também obras inseridas nas colecções «Azul» e «Obras escolhidas de autores escolhidos».

De notar que também colaborou na Romano Torres sob o pseudónimo de António Vivalva durante o fim dos anos 50 e início dos anos 60, por motivo desconhecido. Curiosamente, foram as décadas em que mais se notabilizou.

Embora esta informação não esteja veiculada em nenhuma fonte, a julgar pelos recibos presentes no espólio da Romano Torres [3], deverá ter morrido em 1965 ou 1966.

Afonso Reis Cabral 12-12-2013

  Bibliografia activa (selecção de algumas obras)   Autora  O príncipe morcego e outros contos, 1934, il. de Alfredo Morais, colecção «Manecas», dir. Henrique Marques Júnior, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 26887//3 P. (BNP) Novas aventuras de Branca de Neve, 1941, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 34036//3 P. (BNP) O milagre de Fátima, 1943, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 35088//4 P. e L. 35535//10 P. (BNP) Vasco da Gama e a sua viagem maravilhosa, [D.L. 1956], Leyguarda Ferreira, il. José Manuel Soares, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres. Localização:        P. 6058//1 P. (BNP) Tradutora Nas fronteiras do Far-West: romance de aventuras, 1939/40?, Emílio Salgari, colecção «Salgari», n.º 131 [4], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 32894 P. (BNP) Noiva de ocasião: romance, 1945, Louis Derthal, colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres. Localização         L. 36561 P. e L. 100424 P. (BNP); 39/152 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) Em cada coração um amor, 1947, Magali, colecção «Azul», Lisboa: Edição Romano Torres. Localização:        39/40 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) Deliciosa mentira: romance, 1948, Max du Veuzit, 3.ª ed., Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 38200 P., L. 38209 P. e L. 95736 P. (BNP) O anão feiticeiro, 1962, Walter Scott, pseud. António Vilalva, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos», n.º 60, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 53824 P. (BNP) Bibliografia passiva Andrade, Adriano da Guerra, 1999, Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses, Lisboa: Biblioteca Nacional, p. 42. Oliveira, Américo Lopes de, e Mário Gonçalves Viana, 1967, «Leyguarda Ferreira», verbete in Dicionário mundial de mulheres notáveis, Porto: Lello & Irmão, p. 729. Patriarca, Raquel, 2012, O livro infanto-juvenil em Portugal entre 1870 e 1940, uma perspectiva histórica, Porto: FLUP (última consulta 12-12-2013). Vieira, Pedro Almeida, «Leyguarda Ferreira», resenha no site Bibliohistória (última consulta em 12-12-2013). Recibos de vencimento de Leyguarda Ferreira, in maço 62 do espólio (CHC).


[1] Com excepção de A. Duarte de Almeida, pseudónimo de Carlos de Bregante Torres, filho de João Romano Torres, cf. resenha dedicada a este autor.
[2] Cf. resenha dedicada a esta autora.
[3] Cf. maço 62 do espólio da Romano Torres, CHC.
[4] Colecção e número disponível no site Emílio Salgari.

 

 

 

Ferreira, António Rafael, 1865-1952, também Tradutor

 

 

 

Nos bastidores do jornalismo

Nos bastidores do jornalismo, 1945

António Rafael Ferreira (Lisboa, 1855/65? – Lisboa, 1952)

Funcionário da Biblioteca Nacional, jornalista e dramaturgo.

Dedicou-se profundamente ao teatro, mas não logrou reconhecimento. Apenas a comédia Medicina doméstica foi representada no Teatro Nacional, em 1903. Toda a sua restante produção, como Os troveiros de Portugal, As mães, ou O diabo no corpo, entre muitos outros, permaneceu obscura.

No entanto, continuou a dedicar-se ao teatro de corpo e alma, tendo sido director do Almanaque dos palcos e salas e escrito a obra Da farsa à tragédia (1943).

A sua colaboração na Romano Torres é de apenas dois títulos, Nos bastidores do jornalismo (1945), de sua autoria, e Único amor [193-], tradução da obra de Max du Veuzit. De notar que esta última alcançou grande projecção, visto que teve oito edições (a última de 1971).

Afonso Reis Cabral 21-11-2013

 

Bibliografia activa

Nos bastidores do jornalismo: memórias, 1945, Lisboa: Romano Torres. Localização:          L. 98820 P. (BNP) Único amor: romance, [193-], Max du Veuzit, Lisboa: Romano Torres. Localização:          L. 27545 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Ferreira, António Rafael», 1990, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, p. 377.

 

 

Ferreira, Reinaldo, sob o pseud. Repórter X

 

 

 

Reinaldo Ferreira

Reinaldo Ferreira

Reinaldo Ferreira (Lisboa, 1897 – Lisboa, 1935)   Considerado desde cedo como um prodígio do jornalismo, Reinaldo Ferreira já era reconhecido como repórter importante aos 20 anos. Viveu e trabalhou na Espanha, na França e na Bélgica. Diz-se que a sua invulgar imaginação era fortemente impulsionada pela morfina, vício por si mesmo assumido em 1932 no volume Memórias de um ex-morfinómano, escrito depois de uma desintoxicação. Muito cedo deixou que a sua imaginação mistificasse os leitores, apresentando ficção como realidade. Por exemplo, escreveu uma reportagem sobre a União Soviética sem nunca lá ter ido, e publicou uma série de cartas no jornal O Século, sob o pseudónimo Gil Goes, sobre um crime macabro que teria ocorrido na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa. Em 1930, fundou o jornal Repórter X, designação que já usava como pseudónimo. O jornal granjeou sucesso com grandes tiragens. Era pois uma conhecida figura no meio jornalístico e literário da época, tendo sido amigo íntimo de Mário Domingues [1]. Destacou-se também como produtor e realizador, tendo fundado uma produtora cinematográfica e dirigido três longas-metragens: O groom do Ritz, O táxi 9297 e Rito ou Rita. Publicou dezenas de volumes de ficção policial e de aventuras, assim como folhetos semanais com a mesma temática. Criou várias personagens marcantes, nomeadamente O mosqueteiro do ar (1933), personagem que se assemelhava com o Super-homem norte-americano, embora tenha surgido antes (a primeira banda-desenhada do Super-homem seria apenas publicada em 1938). Entre outras obras de sua autoria, destacam-se Os anfíbios do Tejo, O homem dos três braços e O jardim das flores envenenadas. Publicou três romances de aventuras na Romano Torres: Punhais misteriosos [191-], As chaves do paraíso (1926) e O fantasma branco (1926). Casado com Lucília Ferreira, foi pai do poeta Reinaldo Ferreira (1922-1959).

Afonso Reis Cabral 6-1-2014

 

Bibliografia activa

Punhais misteriosos, [191-], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 29263 P. (BNP) As chaves do paraizo, [1926], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 28690 P. (BNP) O fantasma branco: romance de aventuras, 1926, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 33105 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Perdigão, Henrique, 1940, «Dias da Costa, Júlio», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina. «Ferreira, Reinaldo», 1994, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, Lisboa: Publicações Europa-América, p. 509. Queirós, Luís Miguel, 10-08-1997, artigo «Repórter X – Reinaldo Ferreira nasceu há um século – Memórias de um repórter», in Público (última consulta 6-1-2014). Reinaldo Ferreira, 1897-1935: Repórter X, 1998, org. Câmara Municipal de Lisboa, Divisão de Bibliotecas e Documentação, coord. e org. Manuela Rêgo e Luís Sá, Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa.


[1] Cf. resenha dedicada a este autor.

 

 

 

Fortes, Arminda

 

 

 

in Vertigem,

in Vertigem, 1939 (fonte)

Arminda Fortes (primeira década do século XX – ?)

Dispomos de escassa informação sobre esta autora. Segundo o Dicionário de escritoras portuguesas, terá nascido na primeira metade do século XX.

Quase todas as suas obras, como Micaela (1938), A tentadora (1940), Pecado que redime (1948), O sonho e a vida (1956), Zara (1985), entre outras, foram publicadas no Porto, o que nos leva a crer que era natural dessa cidade. Deverá ter morrido depois de 1985, já que não encontramos nenhuma referência de que essa obra tenha sido póstuma. Curiosamente, a sua colaboração na Romano Torres restringe-se ao romance Vertigem, que, a confirmar-se a data de publicação em 1920 ou 1925 (incongruência nos registos da BNP), foi a estreia literária da autora. Apesar de não ter publicado mais nenhuma obra na Romano Torres, Vertigem foi reeditado em 1939.

Afonso Reis Cabral 5-12-2013

 

Bibliografia activa

Vertigem: romance, [1920, 1925?], Lisboa: Romano Torres. Localização:        869 FOR/A VER (BNP) Vertigem: romance, [1939], 2.ª ed., Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 32509 P. e L. 32509 V. (BNP)

Bibliografia passiva

«Arminda Fortes», verbete in Dicionário de escritoras portuguesas – das origens à actualidade, Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira, Ilha de Santa Catarina: Editora Mulheres, pp. 43-4. Perdigão, Henrique, 1940, «Fortes, Arminda», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 933.

 

 

Frias, D.C. Sanches de, 1845-1922

 

 

 

Sanches de Frias (fonte)

Sanches de Frias (fonte)

David Correia Sanches de Frias (Arganil, Pombeiro da Beira, 1845 – Arganil, Pombeiro da Beira, 1922)

 

David Correia Sanches de Frias foi primeiro visconde de Sanches de Frias e era caracterizado como «genuíno beirão» que cultivava «com profundo amor e intolerante rigor o idioma português», sendo-lhe apontado o carácter «rude e independente» [1]. Cândido de Figueiredo, no seu Figuras literárias, escreveu que Sanches de Frias morreria «abraçado a Herculano e Carrilho e nem a troco da mais fulgente glória perpetrará um galicismo» [2].

Fez fortuna enquanto proprietário de uma firma comercial no Pará. Depois de muitos anos dedicado às questões comerciais, lança-se à escrita com entusiasmo e voluntarismo, embora sem grande sucesso e reconhecimento.

Na Romano Torres, publica apenas em 1896 uma monografia sobre a sua aldeia natal, Pombeiro da Beira: memória histórica, descriptiva e crítica. De resto, para além de textos menos relevantes, escreve o romance O senhor de Fóios sobre um fidalgo minhoto excêntrico, e Memórias literárias, onde pretende tirar da obscuridade alguns autores da sua época.

Afonso Reis Cabral 15-11-2013

Bibliografia activa   Pombeiro da Beira: memória histórica, descriptiva e crítica, 1896, Lisboa: Typ. de João Romano Torres Localização:          SV 3407 (Arq. Nac. Torre Tombo) Bibliografia passiva   «David Correia Sanches de Frias», informação genealógica em Geneall (última consulta 15-11-2013). «Frias, visconde Sanches de», 1990, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, p. 278.


[1] In Dicionário cronológico de autores portugueses, p. 278 (vd. bibliografia).
[2] Ibid.

 

 

 

 

 

G

 

 

Guimarães, Arlete de Oliveira 1909-2003, também Tradutor

 

 

 

Arlete de Oliveira Guimarães

Arlete de Oliveira Guimarães (fonte)

Arlete Soares Silva de Oliveira Guimarães (Setúbal, 1909 – Setúbal?, 2003)

Estreou-se em 1938 com uma história infantil para o jornal O Senhor Doutor. Dedicou toda a carreira à literatura infantil, tendo sido também professora de português e francês e ensinado bordado, piano e órgão. Significativamente, o seu primeiro livro infantil foi Príncipe cabeça de cão (1940) inserido na colecção «Manecas» da Romano Torres, colecção para a qual, aliás, colaborou extensamente com títulos como O cavalhinho branco (1944), A princesa negrita (1944), As bonecas gigantes (1946), O anão de pedra (1956), O príncipe dourado (1956), etc. Esta colecção estendeu-se de meados dos anos vinte até inícios dos anos sessenta e representou um marco na literatura infantil em Portugal. Muitos destes pequenos livros, como por exemplo O milagre de Fátima (1943), da prolífica Antónia Leyguarda Ferreira, foram ilustrados por Júlio Amorim (1909-1988) num estilo muito característico que contribuiu para a sua projecção e reconhecimento. Na Romano Torres, Arlete de Oliveira Guimarães traduziu igualmente vários títulos da colecção «Azul», também muito significativa na história da editora não só pela quantidade de volumes publicados (mais de duzentos), como pelos próprios títulos de autores estrangeiros como Alix André, Max du Veuzit, Magali, etc. Entre outras traduções suas, destacam-se Com o amor não se brinca (1950), de Léo Dartey, A força do amor (1956), de Saint-Ange, e Desconhecia que estava noiva (1958), de Marcel Idiers. Arlete de Oliveira Guimarães também se lançou no romance com Quando o destino brinca (s.d.), mas sem o mesmo sucesso dos seus contos e novelas infantis, e colaborou ocasionalmente com os periódicos Modas e Bordados, Mundo Gráfico, Diário Popular, República e Século Ilustrado. Curioso caso à parte no percurso desta autora é a sua obra Histórias maravilhosas da Bíblia (1940), que escreveu para a Romano Torres sob o pseudónimo de Madeleine de la Paix.

Afonso Reis Cabral 20-11-2013

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

Tradutor   Com o amor não se brinca: romance, 1950, Léo Dartey, Colecção Azul, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 39528 P. (BNP); L. 95518 P. (BNP); 39/128 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) A força do amor: romance, 1956, Saint-Ange, Colecção Azul, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 45166 P. (BNP); L. 97540 P. (BNP); 39/210 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) Desconhecia que estava noiva, 1958, Marcel Idiers, Colecção Azul, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 47557 P. (BNP); 39/225 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) Autor Histórias maravilhosas da Bíblia, [1940], Madeleine de la Paix, comp. Arlete de Oliveira Guimarães, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 37825 P. (BNP) O cavalinho branco: novela infantil, 1944, Colecção Manecas, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 36121//2 P. (BNP) A princesa negrita, 1944, Colecção Manecas, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 35695//3 P. (BNP) As bonecas das gigantes, [D.L. 1956], il. José Félix, Colecção Manecas, Lisboa: Romano Torres Localização:        P. 6058//8 P. (BNP) O anão de pedra: novela infantil, [D.L. 1956], il. Eugénio Silva, Colecção Manecas, Lisboa: Romano Torres Localização:        P. 6027 P. (BNP); 881 2230 (BNP); 87-A 4420 (C.M. Oeiras – Bibl. Municipal de Algés) O príncipe dourado, [D.L. 1956], il. Eugénio Silva, Colecção Manecas, Lisboa: Romano Torres. Localização:        880 2229 (BNP); P. 6058//4 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Arlete de Oliveira Guimarães», verbete in Dicionário de escritoras portuguesas – das origens à actualidade, Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira, Ilha de Santa Catarina: Editora Mulheres, p. 43. «Guimarães, Arlete de Oliveira», verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, 1997, p. 387. Município da Lourinhã – Toponímia, apresentação em PowerPoint sobre Arlete de Oliveira Guimarães, que deu o nome a uma rua dessa cidade (última consulta a 20-11-2013).

 

 

 

 

Guimarães, Luís de Oliveira, 1900-1998

 

 

 

O espírito e a graça de Eça de Queiroz, 1945

O espírito e a graça de Eça de Queiroz, 1945 (fonte)

Luís de Abreu Alarcão de Oliveira Guimarães (Coimbra, 1900/1? – Lisboa, 1998)

Tal como muitos colaboradores da Romano Torres, o percurso de Luís de Oliveira Guimarães é multifacetado no campo das letras.

Começa a sua carreira em 1923 como licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Ainda estudante, integra a redacção dos jornais A Manhã e A Capital, mas é depois de se licenciar que, embora exercendo a magistratura, colabora com muitos outros jornais e revistas como Comércio do Porto, O Primeiro de Janeiro, Diário Popular, República e Sol.

Apesar de ser consensual que Luís de Oliveira Guimarães começou a sua carreira literária com o livro de poemas Bonecas que amam, dispomos de informações contraditórias sobre a data. No entanto, é certo que o terá publicado no início dos anos vinte do século passado [1]. A 21 de Março de 1923, o Diário de Lisboa dá nota deste livro e reproduz alguns poemas na secção «Livros Novos».

Em 1925 publica na Romano Torres As criminosas do Chiado, que escrevera com João Ameal [2]. O Diário de Lisboa reproduz a 5 de Agosto de 1925 passos extensos desta obra na secção «Novidades Literárias», embora não refira a editora. Os autores retratam uma faceta menos luminosa da vida social lisboeta envolvendo amores e desamores misturados com pequena delinquência no feminino.

Em 1937 abandona a magistratura para se dedicar em exclusivo à escrita e ao jornalismo, destacando-se como escritor, dramaturgo (Sete e meio [1927]), conferencista [3] e entrevistador.

A sua obra é vasta e centrada na narrativa de ficção [4]. Na Romano Torres, porém, publica maioritariamente obras de divulgação histórica unificadas pelo título O espírito e a graça, com biografias de Eça de Queiroz (1945, com a curiosa nota de uma carta-prefácio de Fradique Mendes), Camilo Castelo Branco (1952), Fialho de Almeida (1957), Guerra Junqueiro (1968) e Camões (reed. de 1979). Desempenhou também funções como membro da Associação dos Arqueólogos e foi co-fundador da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.

Afonso Reis Cabral 15-11-2013

 

Bibliografia activa

As criminosas do Chiado, 1925, co-autor João Ameal, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 30727 P. (BNP); BB 9523 (Fund. Calous. Gulb. Bibl. Arte); CC 77 (Museu de Setúbal Convento de Jesus) Cabelos cortados, [1926], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 28960 P. (BNP); BB 9640 (Fund. Calous. Gulb. Bib. Geral Arte); PV/1701 (Univ. Porto Fac. Letras) O espírito e a graça de Eça de Queiroz, 1945, carta-pref. de Fradique Mendes, Lisboa: Romano Torres. Localização:        B.R. 2305 (BNP); L. 36873 P. (BNP); L. 89106 P. (BNP); BB 9513 (Fund. Calous. Gub. Bib. Geral Arte); PV/3267 (Univ. Porto Fac. Letras) O espírito e a graça de Fialho, 1957, Lisboa: Romano Torres. Localização:        H.G. 29885 P. (BNP); RES. 3815 P. (BNP) Júlio Dantas: uma vida, uma obra, uma época, 1963, Lisboa: Romano Torres. Localização:        B.R. 4909 (BNP) O espírito e a graça de Guerra Junqueiro, 1968, Lisboa: Romano Torres. Localização:        BG 453 (Fund. Calous. Gulb. Bibl. Geral Arte) O espírito e a graça de Camões, 1979, Lisboa: Romano Torres. Localização:        CAM. 1189 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Diário de Lisboa, 21-03-1923, p. 3 (última consulta 15-11-2013). Diário de Lisboa, 5-08-1925, p. 3 (última consulta 15-11-2013). «Guimarães (Luís de Abreu Alarcão de Oliveira)», 1992, verbete in Dicionário de literatura, vol. IV, dir. Jacinto do Prado Coelho, Porto: Figueirinhas, p. 1338. «Guimarães, Luís de Oliveira», 1997, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 97-98. «Luís de Oliveira Guimarães, o espírito de uma época», Osvaldo Macedo de Sousa, blogue Humorgrafe (última consulta 15-11-2013).


[1] O Dicionário cronológico de autores portugueses refere 1921, o Dicionário de literatura refere 1922 e o Diário de Lisboa aponta 1923.
[2] Para mais informações sobre João Ameal, cf. resenha dedicada a este autor.
[3] Lista de conferências no blog Humorgrafe.
[4] Cf. lista das obras principais no Dicionário de literatura, p. 1338 (vd. bibligrafia).

 

 

 

 

 

L

 

 

Leal, Olavo Correia Leite d’Eça, 1908-1976

 

 

 

Olavo d'Eça Leal

Olavo d’Eça Leal

Olavo Correia Leite d’Eça Leal (Lisboa, 1908 – Reino Unido, 1976) Ao contrário de muitos dos colaboradores da Romano Torres, Olavo d’Eça Leal teve parte da sua formação (que apelida de «péssima» [1]) no estrangeiro, primeiro em Paris. Aí trabalhou no estúdio de desenhos animados de André Vigneau, seguindo então para outros países da Europa e Brasil, depois dos quais regressou a Portugal. A sua carreira é verdadeiramente multifacetada, tendo passado pelo romance, poesia, novela, cinema, televisão, artes plásticas e rádio. Trabalhou como assistente de direcção do filme A severa, de Leitão de Barros, e foi realizador de diversas curtas-metragens. Colaborou com vários jornais e revistas, como Seara Nova, Panorama e Atlântico, tendo fundado O Século de Domingo, suplemento do jornal O Século. Regressou a Paris em 1948, onde fundou uma agência de publicidade. Por essa altura já se havia notabilizado também como dramaturgo, entre outras, com a peça A taça de ouro, que foi levada à cena em 1953 no Teatro Nacional D. Maria II. Deste modo, sempre quis aliar a palavra à imagem, sendo aliás com esse intuito que começou por publicar os seus primeiros textos infantis como Provérbios (1928/30?) e História extraordinária de Iratan e Iracêma: os meninos mais malcriados do mundo (1939), com ilustrações de Paulo Ferreira. Por este último, recebeu o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, inserido no Concurso de Prémios do Secretariado de Propaganda Nacional. Quanto à colaboração na Romano Torres, é interessante notar que em 1983, já a editora se encontrava perto do fim e anos depois da morte de Olavo d’Eça Leal, a obra História extraordinária de Iratan e Iracêma foi reeditada em fac-simile, sendo esta a única presença do autor na editora.

Afonso Reis Cabral 22-11-2013

 

Bibliografia activa

História extraordinária de Iratan e Iracêma, os meninos mais malcriados do mundo, 1983, il. Paulo Ferreira, 2.ª ed fac-similada, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 33059 V. (BNP); 02/1119 SA (Bibl. Pub. Regional da Madeira)   Bibliografia passiva   «Infantil, Literatura», verbete in Dicionário de literatura, 1992, vol. II, Porto: Figueirinhas, pp. 468-474. «Leal, Olavo Correia Leite d’Eça», 1997, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 354-355. «Leal (Olavo Correia d’Eça)», verbete in Dicionário de literatura, 1992, vol. IV, Porto: Figueirinhas, p. 1588.


[1] Cf. Dicionário de literatura, vol. IV, p. 1588 (vd. bibliografia).

 

 

 

Leite, Berta, 1896-?

 

 

 

A lenda dos náufragos, 19

Berta Leite num retrato por José Leite, seu pai (in A lenda dos náufragos, 1926)

Berta Campos Leite da Silva (1896 – ?)

  Tal como com Arminda Fortes [1], dispomos de escassíssima informação sobre Berta Leite. Teriam mais ou menos a mesma idade (certamente, seriam da mesma geração) e o seu percurso na Romano Torres foi similar, já que colaboraram apenas com um romance. Era filhado pintor José Leite, que ilustrou quase toda a sua obra.

Pela bibliografia de Berta Leite, vemos que se dedicou à ficção, principalmente na literatura infantil, e ao ensaísmo: A lenda da praia do Guincho (1921), O maior feito (1922), Sacadura Cabral, senhor maior culto (1924), O livro da menina (1948), etc.

O livro de contos que publicou na Romano Torres, A lenda dos náufragos (1926), estava incluído na colecção «Manecas», célebre colecção devotada à literatura infantil, contando com nomes como Henrique Marques Júnior e Antónia Leyguarda Ferreira.

Publicou a sua última obra, D. Gonçalo da Silveira, em 1946.

Afonso Reis Cabral 5-12-2013

Bibliografia activa

A lenda dos naufragos: contos, 1926, il. de José Leite, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 21341//5 P. e L. 29108//5 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Berta Leite», 1967, verbete in Dicionário mundial de mulheres notáveis, Américo Lopes de Oliveira e Mário Gonçalves Viana, Lisboa: Lello & Irmão – Editores, p. 705. «Berta Leite», 2009, verbete in Dicionário de escritoras portuguesas – das origens à actualidade, Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira, Ilha de Santa Catarina: Editora Mulheres, p. 54. Perdigão, Henrique, 1940, «Leite, Berta», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 913.


[1] Cf. resenha dedicada a esta autora.

 

 

 

Lucena, Vasco de

Em breve

 

 

M

 

 

Mariália

 

Pseudónimo de Maria Amália Marques (1914 – ca. 1985). Vd. resenha dedicada a esta autora.

 

Marques, Gentil, 1918-1991, também Tradutor

in Saber... não faz mal

in Saber… não faz mal, 1945

Gentil Esteveira Marques (Lisboa, 1918 – Lisboa, 1991)

Nascido em Lisboa, mudou-se para o Algarve muito novo. De cariz precoce, Gentil Marques começou a sua carreira jornalística com apenas treze anos ao fazer parte da direcção do jornal literário O Mocho. Por essa altura colaborou também com diversos periódicos de Lisboa.

Regressou à capital em 1935, onde terminou o ensino secundário. Licenciou-se em Biologia, nunca tendo porém exercido qualquer actividade na área das ciências. Na universidade, foi redactor de O Diabo, Século Ilustrado, Vida Mundial Ilustrada, etc. Ao longo da sua vida, colaborou com inúmeros periódicos, sendo uma presença constante na imprensa nacional, principalmente de Lisboa.

No campo do audiovisual, estreou-se em 1940 com um documentário sobre a Exposição do Mundo Português. A partir de 1951, começou a ser conhecido no mundo da rádio, onde promoveu diversos programas de cariz cultural como «Festa brava» e «Lendas do nosso tempo». Daí passou a notabilizar-se como realizador, entre outros, do filme Nau Catrineta (1955).

No entanto, o seu maior interesse foi desde sempre a literatura, estreando-se com o folhetim Ali, onde tudo era silêncio (1930), numa edição de autor, tendo em conta a sua idade e o facto de a BNP não ter conseguido identificar a editora.

Publicou na Romano Torres o seu primeiro romance Pão nosso (1940), que escreveu a quatro mãos com Leão Penedo, amigo que conheceu provavelmente no Algarve e com o qual colaboraria em muitas obras. Mais tare, este romance foi alvo de uma adaptação cinematográfica.

Enquanto escritor e editor literário, especializou-se em adaptações de enredos de filmes e em romances biográficos. A sua colaboração na Romano Torres reflecte principalmente a faceta biográfica da sua obra com Eça de Queiroz: o romance da sua vida e da sua obra (1946), porventura motivado pelo centenário do nascimento do escritor, um ano antes, e Camilo: o romance da sua vida e da sua obra (1951).

Escreveu com Leão Penedo os romances policiais dedicados à personagem Andy Hardy, Andy Hardy: detective [194-], Andy Hardy: conquistador (1940), O novo amor de Andy Hardy (1940) e Prosápias de Andy Hardy (1951).

Colaborou também com a Romano Torres como tradutor e editor literário. Quo vadis? (1947), de Henryck Sienkiewicz, foi a sua tradução mais reeditada, mas traduziu igualmente com sucesso O homem e o espectro (1955), de Charles Dickens, onde incluiu também um ensaio sobre o autor.

Dirigiu as colecções «Grandes mistérios, grandes aventuras» e «Obras escolhidas de autores escolhidos» que constituíram uma das vertentes mais destacadas da editora.

Curiosamente, Gentil Marques casou-se com a escritora Mariália, que também publicou algumas da suas obras, como Refugiados (1944) e O livro das raparigas (1947), na Romano Torres.

Dedicou-se intensamente à promoção do turismo em Portugal, tendo sido fundador e proprietário do Jornal de Turismo e comissário geral da Propaganda Turística em Portugal.

Afonso Reis Cabral
23-11-2013

 

Bibliografia activa

Tradutor / autor de ensaio ou prefácio

Rómula: romance, [194-], George Eliot, trad. Leyguarda Ferreira, pref. Gentil Marques, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos», nº 8, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 38463 P. (BNP)

Feira das vaidades: romance, 1946, William M. Thackeray, versão livre do original inglês de Leyguarda Ferreira, precedido duma pequena história da literatura inglesa de William Thackeray por Gentil Marques, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos», nº 5, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        B.R. 3267 (BNP); L. 37378 P. (BNP); BC 3620 (Fund. Calous. Gulb. Bib. Geral Arte)

Quo vadis?, 1947, Henryck Sienkiewicz, pref. e versão de Gentil Marques, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos», nº 6, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 38323 P. (BNP)

O homem e o espectro: romance, [1955], Charles Dickens, versão do original inglês de Aurora Rodrigues (Dora), precedido de um breve ensaio sobre a vida e obra de Charles Dickens por Gentil Marques, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos», nº 3, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        820 DICK ESP (Univ. Catolica Port. – Bibl. João Paulo II); Português 22911 CE (Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro – Biblioteca Geral)

Autor

Pão nosso: romance, [1940], co-autor Leão Penedo, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 33721 P. (BNP); L. 34652 P. (BNP)

O novo amor de Andy Hardy: romance, [1940], co-autor Leão Penedo, Lisboa: Romano Torres.
Localização:  L. 33439 P. (BNP)

Andy Hardy, detective: romance, [194-], co-autor Leão Penedo, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 33476 P. (BNP)

Andy Hardy, conquistador: romance, 1940, co-autor Leão Penedo, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 33527 P. (BNP)

Saber… não faz mal: curiosidades e maravilhas da História da Geografia, da Botânica, da Zoologia e da Literatura, 1945, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        P. 5938 P. (BNP); P. 5939 P. (BNP); P. 5940 P. (BNP); P. 5941 P. (BNP); P. 5942 P. (BNP)

Eça de Queiroz: o romance da sua vida e da sua obra, 1946, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 37266 P. (BNP); L. 89109 P. (BNP); PV/3222 (Univ. Porto Fac. Letras)

Rainha Santa: romance biográfico, 1947, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 38022 P. (BNP); 929 ISA/RS MAR (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); EG844 (Bibl. Mun. Elvas)

O morto foi ao baile: romance policial, 1948, Marcel Damar, versão de Gentil Marques, colecção «Grandes mistérios, grandes aventuras», nº 34, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 38706 P. (BNP); 81/34 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Camilo: o romance da sua vida e da sua obra, 1951, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 39969 P. (BNP)

Prosápias de Andy Hardy: romance, 1951, co-autor Leão Penedo, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 33695 P. (BNP)

Bibliografia passiva

 

«Marques, Gentil Esteveira», 1997, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 683-684.

Marques Júnior, Henrique, 1881-1953, também Tradutor

Henrique Marques Júnior

Henrique Marques Júnior

Henrique Vasco da Costa Marques Júnior (Lisboa, 1881 – Lisboa, 1953)

  Filho de Henrique Marques [1] (1859-1933), um publicista, tradutor, editor-livreiro e redactor de jornais como O Correio Português e O Século, seguiu os passos do pai nos meios literários de Lisboa. O pai, que também se destacou como autor de Bibliografia camiliana (1894) e Os editores de Camilo (1925), ter-lhe-á pois incutido o gosto pela literatura e facilitado o acesso aos agentes culturais da época.

Henrique Marques Júnior iniciou o ensino secundário no Porto, onde o pai trabalhava como representante da Livraria António Maria Pereira, e terminou-o em Lisboa, não tendo continuado os estudos. Começou a sua carreira aos 15 anos, traduzindo contos infantis para a revista Branco e Negro. Seguiu-se a tradução e edição, em parceria com o pai na Livraria Moderna, da qual este era dono, da colecção Biblioteca das crianças, que se estendeu por 13 volumes entre 1898 e 1910. A colecção contava com textos de Hans Christian Andersen, Perrault, irmãos Grimm, etc.

Desde a publicação da Biblioteca das crianças, destacou-se como editor literário de várias colecções infanto-juvenis: Biblioteca infantil (1912-1915), na Guimarães; Biblioteca ideal (1921-1922), na Casa Garrett; Biblioteca azul, na Livraria Científica de Lisboa (foi publicado apenas um volume devido à falência da editora); e Biblioteca maravilhosa para crianças (1926-1928).

Na Romano Torres, Marques Júnior destacou-se inicialmente como tradutor, sendo um dos primeiros trabalhos o romance Madalena Férat (1920), de Zola. Das suas traduções, destacam-se um importante número de títulos da colecção «Salgari», a qual também foi traduzida para a Romano Torres pelo seu pai.

No entanto, Marques Júnior destacou-se especialmente como editor literário. Em meados dos anos 20, sugeriu a Carlos de Bregante Torres [2] o lançamento de uma colecção infanto-juvenil. Segundo Maria Teresa Cortez [3], a proposta foi aceite com muitas reservas. No entanto, a colecção, à qual foi atribuído o conhecido nome de «Manecas», granjeou grande êxito, tendo durado aproximadamente 50 anos. Os volumes aí publicados eram geralmente traduções livres e breves (entre 40 a 70 páginas) de autores estrangeiros como Odette de Saint-Maurice, Cervantes, etc., ou textos originais de autores portugueses como Arlete Lopes Navarro, José Rosado, Antero do Amaral, Berta Leite e especialmente Antónia Leyguarda Ferreira.

O sucesso da colecção deveu-se não só à escolha criteriosa de autores, como à própria estratégia editorial: os volumes contavam com ilustrações muito atractivas (Júlio de Amorim, Alfredo de Morais, José Félix, Eugénio Silva e José Leite foram alguns dos ilustradores) e eram postos à venda por quantias muito acessíveis.

Henrique Marques Júnior dirigiu a colecção até meados dos anos 30, tendo sido substituído por Antónia Leyguarda Ferreira, que já contava com experiência como autora.

Depois desta colecção, dedicou-se à Biblioteca infantil “latina” (1942-1946), na Livraria Latina, do Porto.

Sempre apaixonado pela literatura infantil, colaborou com vários periódicos da altura (entre outros, O Ocidente, Serões, ABCezinho, O Sr. Doutor e O Mosquito), assinando por vezes com pseudónimos como Rui de Aboim, Hemarju, Artur de Castro, Hemarju, Vasco da Costa e Vasco Marques.

Henrique Marques Júnior foi, a par de Maria Amélia Vaz de Carvalho e Ana de Castro Osório, um dos principais vultos da literatura infanto-juvenil em Portugal. Não só a promoveu em várias colecções, como também ajudou ao seu estudo com Algumas achegas para uma bibliografia infantil (1928), primeira bibliografia portuguesa relativa a obras deste género.

Afonso Reis Cabral 30-11-2013

 

Bibliografia activa (selecção das obras)

Tradutor

Madalena Férat: romance sentimental, 1920, Emílio Zola, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        840 ZOL FER (Univ. Católica Bib. João Paulo II)

As filhas dos faraós, 1921, Emílio Salgari, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 21640 P. (BNP)

A pérola de Labuan, 1924, Emílio Salgari, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 30694 P. (BNP)

O segredo de Montjoya: romance, 1935, Max du Veuzit, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 27338 P. e L. 27851 P. (BNP)

Casamento tentador: romance, 1936, Max du Veuzit, 2.ª ed., colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 40732 P. e L. 95610 P. (BNP); 39/107 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Editor literário

A gata borralheira, 1925, aut. Henrique Marques Júnior, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 20937//4 P. (BNP)

O gigante dos cabelos d’ouro e outros contos de fadas, 1925, Henrique Marques Júnior, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres.Localização:        L. 24333//1 P. (BNP) e L. 28649//5 P. (BNP)

Aventuras de D. Quixote contadas às crianças, 1927, Miguel de Cervantes Saavedra, trad. Henrique Marques Júnior, colecção Manecas, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 26308//12 P. (BNP)

As aventuras da princesa Ladina, [193-], autores Leyguarda Ferreira e Henrique Marques Júnior, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 35088//3 P. (BNP)

O príncipe morcego e outros contos, 1934, Leyguarda Ferreira, il. de Alfredo Morais, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 26887//3 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Cortez, Maria Teresa, 2007, «Henrique Marques Júnior e as “Bibliotecas” infantis e juvenis», Estudos de tradução em Portugal: Livros RTP-biblioteca básica Verbo – II / Colóquio Traduções no Coleccionismo Português do Século XX, realizado na Universidade Católica Portuguesa em 24 e 25 de Novembro de 2005, org. Teresa Seruya, Lisboa: Universidade Católica Editora, pp. 169-181.

«Infantil, Literatura», 1992, verbete in Dicionário de literatura, vol. II, Porto: Figueirinhas, pp. 468-474.

«Marques Júnior, Henrique», 1990, verbete in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. III, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 245-246. Perdigão, Henrique, 1940,

«Marques Júnior, Henrique», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina. Vieira, Pedro Almeida, resenha biográfica no site Bibliohistória (última consulta a 30-12-2013).


[1] Vide resenha dedicada a este autor.
[2] Vide resenha dedicada a A. Duarte de Almeida, pseudónimo de Carlos de Bregante Torres.
[3] Cf. p. 175 (vd. bibliografia).

Marques, Maria Amália, 1914 - ca.1985

 

O livro das raparigas, 16.ª série

O livro das raparigas, 16.ª série

Maria Amália Marques
(?, 1914 – Lisboa, ca. 1985)

Maria Amália Marques nasceu em 1914 e terá morrido provavelmente em 1985, decerto antes do seu marido Gentil Esteveira Marques, importante colaborador da Romano Torres.

A julgar pelos registos da Porbase, trabalhou quase em exclusivo com a Romano Torres, onde escreveu sob os pseudónimos Mariália e John S. Falk.

Estreou-se como Mariália com a direcção literária de O livro das raparigas, que contou com várias séries. Estes livros eram breves antologias de textos, nacionais e estrangeiros, pensados para o público infanto-juvenil feminino da época. Na 4.ª série, por exemplo, encontramos uma biografia de Lucrécia Mott, activista do século XIX contra a escravatura; uma novelização de um filme dedicado à vida das irmãs Brontë sob o título Devoção; um texto sobre o romance Forever Amber, de Kathleen Winsor, etc.

Para além desta colecção dedicada ao público feminino, também adaptou para a Romano Torres dois filmes da Metro Goldwyn Mayer para romance: Refugiados (1944) e A família Miniver (1944).

Como John S. Falk, Maria Amália Marques dedicou-se ao policial, muito distante pois da temática infanto-juvenil feminina, estando as suas três obras sob este pseudónimo inseridas na colecção «Grandes Mistérios, Grandes Aventuras»: O mistério da bailarina chinesa (ca. 1940), Mataram mister Shang! (1946) e Noites tenebrosas de Xangai (1950). De notar que estas obras, supostamente de um autor estrangeiro, contavam com dois tradutores fictícios: Manuel Dias e Mário Moita.

 

Afonso Reis Cabral
05-03-2014

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

Falk, John S., ca. 1940, O mistério da bailarina chinesa: romance policial, versão livre de Manuel Dias, 2.ª ed. [?], col. «Grandes Mistérios, Grandes Aventuras», n.º 2, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 38272 P. e L. 95507 P. (BNP)

Falk, John S., 1946, Mataram Mister Shang!: romance policial, versão Mário Moita, col. «Grandes Mistérios, Grandes Aventuras», n.º 13, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 36948 P. (BNP); 81/13 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Falk, John S., 1949, Noites tenebrosas de Xangai, versão de Mário Moita, col. «Grandes Mistérios, Grandes Aventuras» n.º 6, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 35907 P. e L. 97641 P. (BNP); 81/6 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Mariália, 1944, A família Miniver, romance inspirado no famoso filme Mrs. Miniver da Metro-Goldwyn Mayer, 2.ª ed., Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 36071 P. e L. 36492 P. (BNP)

Mariália, 1944, Refugiados: romance, adaptação do argumento do filme Refugiados da Metro-Goldwyn-Mayer, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 22848 P. e L. 98510 P. (BNP)

Mariália, 1947, O livro das raparigas, 4.ª série, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 99589 P. e C.G. 6395 P. (BNP)

Mariália, 1951, O livro das raparigas, 16.ª série, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        C.G. 6395 P. (BNP)

 

Bibliografia passiva

 

Andrade, Adriano da Guerra, 1999, Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses, Lisboa: Biblioteca Nacional, p. 189.

Melo, Daniel, 2013, «As misteriosas capas da colecção “Grandes Mistérios, Grandes Aventuras”», site Romano Torres (última consulta 05-03-2014).

 

 

Martins, Rocha, 1879-1952

 

 

 

Rocha Martins

Rocha Martins (imagem retirada do blogue Almanaque Republicano)

Francisco José da Rocha Martins (Lisboa, 1879 – Sintra, 1952)

Rocha Martins foi um historiador, escritor e jornalista prolífico, de tal maneira que hoje é quase impossível visitar um alfarrabista sem encontrar uma das suas obras. O Dicionário universal de literatura classifica-o como «indiscutivelmente, dos escritores portugueses um dos que mais produz, e não só em volumes como na colaboração que dá para jornais e revistas várias» [1]. A sua obra conta com quase uma centena de títulos.

Tal como António Guedes de Amorim, provinha da uma família de poucas posses, o que o impossibilitou de prosseguir para o ensino superior. Todavia, destacou-se como autodidacta de sucesso.

Estreou-se com a publicação de contos nos jornais Diário Popular e A Tarde. Pouco depois, publicou o seu primeiro romance, Os párias, aos 19 anos. Depois desta obra, desviou-se do trilho de ficcionista stricto sensu, passando a escrever romances históricos que foram publicados em fascículos, sendo reunidos posteriormente em volume. Destes, os mais significativos foram Bocage, Madre Paula, Spartacus e Maria da Fonte, publicados pela Romano Torres no início do século XX. Todas as suas obras nesta editora são aliás romances históricos. Enquanto jornalista, fundou e dirigiu o ABC e o Arquivo Nacional. Esta actividade não o impediu, contudo, de prosseguir a escrita em largo número (são disso exemplo as obras Rei santo, 1905, As alminhas da ponte, 1928, Vasco da Gama, 1928, O Condestável, 1928, D. Maria da Penha, 1930), publicando em quase todas as grandes casas editoras da época. Politicamente, foi activo enquanto monárquico liberal, tendo apoiado o Estado Novo durante os primeiros anos, afastando-se no entanto quando percebeu o verdadeiro cariz do regime. Deputado e vereador da Câmara Municipal de Lisboa, pertenceu à Academia das Ciências de Lisboa, à Arcádia de Roma e foi comendador de Sant’Iago.

Afonso Reis Cabral 28-11-2013

 

Bibliografia activa

Maria da Fonte: romance historico, 1903, 2 vols., Lisboa: J. Romano Torres. Localização:        L. 3588 A. e L. 3588 A. (BNP) Rei santo: chronica do reinado de D. Pedro V, 1907, 2 vols. Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 18839 V e H.G. 18840 V. (BNP); 3Q8-46/47 (Biblioteca Central da Marinha) A Ribeirinha: amante de D. Sancho I, [19--], Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        B.R. 3200 (BNP) Bocage: romance original, [19--], 2 vols., Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 41020-21 V. e H.G. 8623-24 V. (BNP) Gomes Freire: romance historico original, [19--], vol. 1, e vol. 2,  Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 3681 A., L. 3682 A., L. 3683 A. (BNP) e L. 3684 A. (BNP) Madre Paula: romance historico do reinado de D. João V, [19--], 2 vols., Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 14379 V. e L. 14380 V. (BNP) Maria da Fonte: romance histórico, [191-], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 33214 V. e L. 33215 V. (BNP) A flor da murta, [D.L. 1912], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 8450//3 V. (BNP) Spartacus : a agitada história d’um homem na eterna asperação do mundo, [192-], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 18351 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Perdigão, Henrique, 1940, «Rocha Martins, Francisco da», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 680. Vieira, Pedro Almeida, resenha biográfica no site Bibliohistória (última consulta a 28-11-2013).


[1] p. 680 (vd. bibliografia).

 

 

 

Mendes, Fernando, ca 18-

 

 

 

Em breve

 

 

 

Monteiro, Gomes, 1893-1950, também Tradutor

 

 

 

Bocage, esse desconhecido, 1943

Bocage, esse desconhecido, 1941 (fonte)

Joaquim Gomes Monteiro (Boticas, 1893 – Lisboa, 1950)

Joaquim Gomes Monteiro nasceu em Boticas no ano de 1893. Foi um ensaísta, jornalista e escritor destacado na sua época, devendo a notoriedade, em parte, às suas obras historiográficas editadas pela Romano Torres.

Encontrava-se no Porto em 1912 quando iniciou a sua carreira de jornalista, dirigindo o jornal A Voz de Leça e, um ano mais tarde, o jornal Notícias de Cantanhede. Pouco depois partiu para Angola para participar nas campanhas coloniais da Primeira Guerra Mundial.

Depois da Grande Guerra, mudou-se para Lisboa, onde prosseguiu a sua carreira de jornalista. Colaborou com o Diário de Notícias, O Século e A Situação.

O ano de 1932 marcou a sua estreia literária com o livro de poemas As mulheres que amaram Jesus, mas também A freira que morreu de amor (soror Maria da Misericórdia) e Vieira de Castro e a sua tragédia.

Começou a sua parceria com a Romano Torres, para a qual colaborou como autor e tradutor, em 1941 com a obra Bocage: esse desconhecido, que teve forte aceitação do público, contando com várias reedições. Dentro da historiografia, publicou também nessa editora Vencidos da vida (1944). Da sua lavra, lançou igualmente Os fantasmas da torre de Londres (1942).

De resto, traduziu obras de Géo Duvic e Ponson du Terrail, entre as quais se destacam O estrangulador invisível (1946), do primeiro, e A peste negra (1940), do segundo.

Publicou em 1947 pela Empresa Nacional de Publicidade a sua obra mais emblemática, Feras no povoado, onde relata a vida e peripécias em Boticas, aldeia de onde era natural

Entretanto, manteve a sua carreira de jornalista, desempenhando funções como Chefe da Biblioteca do Arquivo do Diário de Notícias.

A sua obra está presentemente a ser reeditada pela editora Caixotim.

Afonso Reis Cabral 28-11-2013

Bibliografia activa

Tradutor O estrangulador invisível: romance policial, 1946, Léo Duvic, colecção «Grandes mistérios, grandes aventuras» n.º 20, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 37398 P. e L. 98684 P. (BNP); 81/20 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) O fantasma revelador: romance policial, 1947, Géo Duvic, colecção «Grandes mistérios, grandes aventuras, n.º 24, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 38296 P. e L. 95521 P. (BNP); 81/24 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) A peste negra: romance sentimental, [194-], Ponson du Terrail, colecção «Reclamo», Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 37761//1 P. e L. 98626 P. (BNP); 224/2 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa) Autor Bocage, esse desconhecido…, 1941, Lisboa: Romano Torres. Localização:        FL BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du-94/BOC (Bibl. Pub. Mun. Setúbal) Os fantasmas da Torre de Londres, 1942, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 34427 P. e L. 38296 P. (BNP) Vencidos da vida: balanço literário e político da segunda metade do século XIX, 1944, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 36290 P. e B.R. 2260 (BNP) Arquivo secreto da Imperatriz Maria Luísa (2.ª mulher de Napoleão), [195-], Lisboa: João Romano Torres (consta na Porbase como sendo da Imp. Portuguesa, mas de facto foi editado pela Romano Torres ca. 1951). Localização:        H.G. 26330 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Sá Machado, Paulo, «Gomes Monteiro, vulto das letras transmontanas e nacionais», Junta de Freguesia de Boticas (última consulta a 28-11-2013).

 

 

 

 

N

 

 

Navarro, Arlete Lopes

 

 

 

Em breve

 

 

 

Nazaré, Aníbal, 1909-1975

 

 

 

Anibal Nazaré

Anibal Nazaré

Aníbal Nazaré (Lisboa, 1909 – Lisboa, 1975)   Autor da revista e do fado, Aníbal Nazaré estreou-se em 1925 com a direcção da Revista de Arte e Sport: Publicação Mensal de Teatro, Literatura, Coreografia e Sport. Cedo trabalhou para o teatro de revista, sendo autor e co-autor de aproximadamente 140 peças. Colaborou neste âmbito com Henrique Santana e Nelson de Barros. Paralelamente à carreira na revista, foi autor de várias letras de fados, entre as quais se destacam «Tudo isto é fado», «Sempre que Lisboa canta», etc., sendo essa a actividade que mais o projectou. Publicou duas obras na Romano Torres, sendo a primeira A última aventura de Mata-Hari, romance inspirado no filme de mesmo nome que estreou em 1931 com Greta Garbo no papel principal. Assim, embora não tenha data nos registos da Porbase, esta obra terá sido publicada certamente depois de 1931. Em 1936, publicou na mesma editora a sua obra de maior relevo, As luzes da cidade. Trata-se de um livro onde estão compiladas crónicas de sua autoria, como «O pensamento», «No cinema, há cinco dias» e «O elogio da indiferença». A sua prosa foi desde logo bem acolhida, contando As luzes da cidade com um prefácio de Ferreira de Castro [1]. Não publicou mais obras de relevo, mas a sua actividade no teatro de revista absorveu-o durante o resto da vida.

Afonso Reis Cabral 28-12-2013

Bibliografia activa

Luzes da cidade, 1936, pref. Ferreira de Castro, Lisboa: Romano Torres. Localização: EG1309 (Bibl. Mun. de Elvas) A última aventura de Mata-Hari, [193-], adapt. Aníbal Nazaré, romance extraído do filme da Metro-Goldwyn-Mayer, Lisboa: João Romano Torres. Localização: B.R. 1048 e L. 24566 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Rebello, Luiz Francisco, História do Teatro de Revista em Portugal, vol. 2, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985. Resenha bibliográfica disponível online no Portal do Fado (última consulta 28-12-2013). «Nazaré», in Infopédia, Porto Editora, 2003-2013 (última consulta 28-12-2013).


[1] Vide resenha dedicada a este autor.

 

 

 

Neves, cap. Francisco António da Silva Neves

 

 

 

Silva Neves

Silva Neves

Francisco António da Silva Neves (s.d. – s.d.)

Francisco António da Silva Neves foi um militar de carreira, tendo chegado a tenente em Moçambique. Quase não dispomos de informações sobre a sua biografia, mas é certo que as suas publicações foram esporádicas, não se tratando de um verdadeiro escritor. Aliás, segundo os registos da Porbase, a sua única publicação foi a que editou na Romano Torres. Terá sido apoiante do Estado Novo, já que discursou pelo menos uma vez no Terreiro do Paço aquando da cerimónia de juramento da bandeira por parte da Legião Portuguesa [1].

Para a Romano Torres, colaborou apenas na obra 9 de Abril, em parceria com José Rosado. Trata-se de um romance histórico sobre a batalha de La Lys, na qual milhares de portugueses morreram (9 de Abril de 1918).

Afonso Reis Cabral 12-12-2013

 

Bibliografia activa

9 de Abril : romance dos portugueses na grande guerra, [19--], co-autor José Rosado e Capitão Silva Neves, Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        L. 26365 P. (BNP); EG1239 (Bib. Púb. Mun. de Elvas) – 001784/2013

Bibliografia passiva

Arquivo Nacional Torre do Tombo, acervo fotográfico sobre Silva Neves (última consulta em 12-12-2013) Arquivo Científico Tropical, acerco fotográfico sobre Silva Neves (última consulta 12-12-2013).


[1] Informação e imagem disponíveis no Arquivo Nacional Torre do Tombo (última consulta 12-12-2013)

 

 

 

Noronha, Eduardo de, 1859-1948

 

 

 

in Estroinas e estroinices, 192-

in Estroinas e estroinices, 192-

José Eduardo Alves de Noronha (Lisboa, 1859 – Lisboa, 1948) Estudou na Academia Politécnica do Porto entre 1876 e 1879. Enquanto oficial do exército, atingiu o posto de major e manteve diversos cargos em África, tendo participado no processo de pacificação de Moçambique. Foi autor da carta topográfica de Lourenço Marques, que até à época não havia sido feita em grande escala. O seu Relatório do distrito de Lourenço Marques e a África do Sul (1895) é ainda hoje estudado. Tal como muitos dos colaboradores da Romano Torres, distinguiu-se como jornalista, tendo colaborado com quase todas as publicações de Lisboa e também de Lourenço Marques, onde aliás fundou o jornal O Futuro. Foi porém depois dos cinquenta e um anos, já reformado da carreira militar, que Eduardo de Noronha passou a dedicar-se mais afincadamente ao jornalismo e à escrita. Para a Romano Torres, além dos romances históricos como Milionário artista [19--], ou estudos como O rei marinheiro [18--], ganhou especial relevância a sua direcção do Diccionario universal ilustrado linguistico e encyclopedico [1921] em onze volumes. Conforme explicam o director e os editores, esta obra destinava-se a «prestar um bom serviço aos seus concidadãos, principalmente aos das classes menos abastadas, facultando-lhes uma obra séria, conscienciosa e indispensável, pelo preço mais módico possível e sem paralelo no país nem no estrangeiro» . Movidos por «patriotismo e altruísmo» que dizem demonstrados no próprio preço, a editora e Eduardo de Noronha produzem uma obra profusamente ilustrada. Este novo dicionário enciclopédico vem aliás na senda de outras empreitadas do mesmo cariz promovidas pela Romano Torres, sendo que pretendiam invariavelmente estar «ao alcance de todos», expressão presente no Diccionario de hygiene e medicina (1908-1910) a cargo de Costa Dias. Muito relevante neste contexto é a obra Portugal, diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico (1904-1915) dirigida por Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues. Não raro, nos volumes do Diccionario universal ilustrado de Eduardo de Noronha encontramos as páginas finais recheadas de publicidade a outros autores da casa, por exemplo à obra Rainha madrasta, de Campos Júnior, no primeiro volume. Eduardo de Noronha esteve muito presente na imprensa da época, e as suas obras foram frequentemente publicitadas. O Diário de Lisboa, por exemplo, reproduziu excertos de A sociedade dos delírios (7-7-1922) e O rei marinheiro (8-9-1924), ambos editados pela Romano Torres. Estas referências podem aliás ajudar a datar a primeira obra, visto que está apontada na BNP como tendo sido publicada nos anos vinte do século passado, embora sem ano específico. Quanto à segunda, referir-se-á sem dúvida a uma reedição, já que a primeira edição data provavelmente da última década do século XIX. O Dicionário cronológico de autores portugueses classifica a obra de Eduardo de Noronha como abrangendo «o romance histórico e histórico-militar, a crónica dos costumes (recheadas de anedotas, boatos e saborosos comentários do autor), episódios dramáticos, ensaios histórico-políticos e traduções de vários géneros, mas sobretudo de peças de teatro». De todas estas facetas, apenas a de dramaturgo não está representada na sua colaboração com a Romano Torres.

Afonso Reis Cabral 19-11-2013

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

O rei marinheiro: subsídios para a historia política, social, militar, litteraria, industrial e artistica do reinado de D. Luiz I, [18--], Lisboa: João Romano Torres Localização: HST 4895 (UNL-FCSH) Diccionario universal illustrado linguistico e encyclopedico, [1921], 11 vol., Lisboa: ed. João Romano Torres & Ca. Localização: TR. 1013 V. (BNP) Estroinas e estroinices: ruína e morte do Conde de Farrobo, 1922, Lisboa: João Romano Torres Localização: L. 33122 P. (BNP); 869-31 NOR/1 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); CP-LP1660 (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) Elas na intimidade, 1926, Lisboa: João Romano Torres Localização: L. 30689 P. (BNP) Reinado florescente: soberano pacífico: alguns elementos para a reconstituição da época de D. Luiz I, [1928], Lisboa: João Romano Torres Localização: 946.9″18″ NOR (BNP) Os marechaes de D. Maria II: Saldanha, Terceira e Santa Maria: a história e a anedota, [19--], Lisboa: João Romano Torres Localização: B.R. 7825 (BNP) A questão do Oriente: guerra nos Balkans, [19--], Lisboa: João Romano Torres Localização: H.G. 19711 P. (BNP) A sociedade do delírio, [192-], Lisboa: J. Romano Torres Localização: L. 28527 P. (BNP) Milionário artista: romance histórico, [19--], Lisboa: João Romano Torres, contém uma estampa do Conde de Farrobo Localização: LL 10377 (BNP)

Bibliografia passiva

Diário de Lisboa, 7-07-1922, p. 3, disponível online em XXX (última consulta a 19-11-2013). Diário de Lisboa, 08-09-1924, p. 3, disponível online em XXX (última consulta a 19-11-2013). Diário de Lisboa, 30-09-1925, p. 3, disponível online em XXX (última consulta a 19-11-2013). Júnior, Costa, 1973, «Noronha (José Eduardo Alves de Noronha)», verbete in Enciclopédia Luso-brasileira de cultura, 14º vol., Lisboa: Editorial Verbo, pp. 237-238. «Noronha, José Eduardo Alves de», 1990, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 425-426. Vieira, Pedro Almeida, resenha biográfica no site Bibliohistória (última consulta a 19-11-2013).

 

 

 

 

P

 

 

Penedo, Leão, 1916-1976

 

 

 

Andy Hardy: detective,

Andy Hardy: detective, 194-

Leão do Nascimento Penedo (Faro, 1916 – Lisboa, 1976)

 

Nasceu no Algarve, onde terá conhecido Gentil Marques, seu amigo de infância e colaborador em diversas obras, que era natural de Lisboa mas aí passou a sua infância e parte da adolescência.

Tal como Gentil Marques, trabalhou como jornalista e dedicou-se à escrita mas formou-se numa área que não prosseguiu, no seu caso no Instituto Industrial de Lisboa. Fundou com Rogério de Freitas uma editora que se dedicou à importação, através da inclusão velada em antologias, de títulos de autores estrangeiros à data prescritos pelo índex da ditadura. A editora dedicou-se também à divulgação da historiografia da arte portuguesa. Escritor de cariz neo-realista em obras como Multidão (1942), Caminhada (1943) ou Circo (1945), Leão Penedo aliou a escrita ao cinema, tendo trabalhado em diversos roteiros de filmes. O seu romance Circo foi adaptado ao cinema em 1951 pelo realizador Manuel Guimarães com o título Saltimbancos. A sua colaboração na Romano Torres está marcada inquestionavelmente pela amizade que manteve com Gentil Marques. O primeiro romance deste, Pão nosso [1940], foi escrito em conjunto com Leão Penedo. Criam também em conjunto a personagem Andy Hardy ao longo de cinco romances que se estendem de 1940 até 1951. Embora a colaboração de Gentil Marques na Romano Torres seja mais abrangente, a de Leão Penedo cingiu-se às obras que escreveu com o amigo. Adoeceu em 1961, ano que que parou de escrever ou exercer qualquer outra actividade de relevo público.

Afonso Reis Cabral 25-11-2013

Bibliografia activa

Pão nosso: romance, [1940], co-autor Gentil Marques, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 33721 P. (BNP); L. 34652 P. (BNP) O novo amor de Andy Hardy: romance, [1940], co-autor Gentil Marques, Lisboa: Romano Torres. Lisboa:  L. 33439 P. (BNP) Andy Hardy, detective: romance, [194-], co-autor Gentil Marques, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 33476 P. (BNP) Andy Hardy, conquistador: romance, 1940, co-autor Gentil Marques, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 33527 P. (BNP) Prosápias de Andy Hardy: romance, 1951, co-autor Gentil Marques, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 33695 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Penedo, Leão do Nascimento», 1997, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. IV, Lisboa: Publicações Europa-América, p. 619. Vieira, Pedro Almeida, «Leão Penedo», resenha disponível no site Bibliohistória (última consulta a 25-11-2013).

 

 

Pereira, Albino Estêvão Victoria, 1849-1919

 

 

 

Portugueses e ingleses em África, 1892

Portugueses e ingleses em África, 1892

Albino Estêvão Victoria Pereira (Bombarral, 1849 – Lisboa, 1919)

Albino Pereira ingressou na carreira militar, tendo subido até ao posto de major, do qual se reformou em 1899. Foi um grande viajante pela África e pela Índia, onde habitou durante alguns anos.

Era admirador de Brito Capelo e amigo íntimo de Roberto Ivens, aos quais dedicou a obra A Nova Lisboa – uma exploração africana (1890). Foi também topógrafo, sendo de sua autoria um plano das linhas de Torres Vedras. Antes de se reformar, publicou monografias como A raça equina em Portugal e catálogo dos ferros ou marcas dos criadores portugueses e espanhóis (1887). Dedicou-se também ao romance de cariz realista, como a única obra de publicou na Romano Torres, Portugueses e ingleses em África: romance científico (1892). Este romance estava incluído numa colecção intitulada «Viagens portuguesas», da qual, no entanto (segundo os registos de que dispomos), foi o único exemplar. Deixou, aquando da sua morte, em 1919, vários romances inéditos, como O diamante negro, passado na Índia, e O coração de uma meretriz.

Afonso Reis Cabral 9-12-2013

 

Bibliografia activa

Portugueses e ingleses em África: romance scientifico, 1892, colecção «Viagens portuguesas», Lisboa: João Romano Torres. Localização:        821.134.3-3 PER (C.M. Tondela – Biblioteca Tomás Ribeiro)

Bibliografia passiva

«Pereira, Albino Estevão Victoria», 1990, verbete in Dicionário cronológico de autores portugueses, vol. II, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 321-2.

 

 

Pereira, J.M. Esteves, 1872-1944

Portugal, dicionário histórico

Portugal, dicionário histórico

João Manuel Esteves Pereira
(1872 – 1944)

    Erudito particularmente interessado na história da indústria, J.M. Esteves Pereira frequentou a Academia de Belas-Artes de Lisboa e o Instituto Industrial e Comercial. Concluiu em 1896 o Curso Superior de Letras.

     Em 1897 publicou na Companhia Nacional Editora, inserida na colecção «Biblioteca do povo e das escolas», a curiosa monografia O feminismo na indústria portuguesa, o que denota desde logo o seu interesse pela história industrial e do movimento feminista. Em 1900 voltou ao tema, publicando na editora Occidente A industria portugueza: século XII a XIX: com uma introdução sobre corporações operárias em Portugal: elementos de logographia industria.

     Carlos da Fonseca caracteriza-o como um historiador «duma fertilidade extraordinária» que reuniu informações sobre os mais variados assuntos, mas em especial sobre «as indústrias de palitos, rocas, alfinetes, móveis, sabão, fósforos, penas de escrever, gravatas, papel, vidro, azulejos, porcelana, lanifícios, chapéus, etc.» [1].

     Em 1904 publicou na Romano Torres a monografia A administração pombalina. No entanto, foi o importante Portugal, dicionário histórico…, dado à estampa nesta editora (entre 1904 e 1915) em parceria com o escritor e jornalista Guilherme Augusto Rodrigues [2], que o notabilizou. Caracterizada por Artur Anselmo como «a primeira enciclopédia portuguesa pensada e realizada em termos comerciais, o que explica o facto de ainda hoje continuar a ser lida e procurada», facilmente se percebe que o cunho de Esteves Pereira foi essencial.

     Embora sem o mesmo impacto, publicou também pelo menos uma adaptação literária: Aventuras d’uma noviça (Occidente, 19–).

 

Afonso Reis Cabral
8-5-2014

 

Bibliografia activa

A administração pombalina, 1904, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:    H.G. 6994//13 v., H.G. 20844 V. e S.C. 10953//9 V. (BNP)

Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico : abrangendo a minuciosa descripção de todos os factos notaveis da história portugueza, etc., etc., obra il. com centenares de photogravuras e redigida segundo os trabalhos dos mais notáveis escriptores, 1904-195, direcção de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Lisboa: João Romano Torres (versão orignial vol. 1 e vol. 2).
Localização:        H.G. 52893 V., H.G. 52894 V., H.G. 52895 V., H.G. 52896 V., H.G. 52897 V., H.G. 52898 V. e H.G. 52899 V. (BNP)

 

Bibliografia passiva

Anselmo, Artur, 1997, «O comércio livreiro de cadernetas e fascículos», Leituras, s.3, n.º 1, p. 97-104.

Lisboa, João Luís, 2013, «Au début, le Recreio», Congresso Internacional «A circulação transatlântica dos impressos – Conexões», São Paulo, Universidade de São Paulo (última consulta 9-5-2014).

Torgal, Luís Reis, José Maria Amado Mendes e Fernando Catroga, 1996, História da história em Portugal, sécs. XIX-XX, Lisboa: Círculo de Leitores, pp. 216-7.


[1] Apud História da história em Portugal, p. 216 (vd. bibliografia).

[2] Vd. verbete dedicado a este autor.

 

 

R

 

 

Ramón Regueiro, José

 

 

 

Em breve

 

 

 

Repórter X, pseud. de Ferreira, Reinaldo, 1897-1935

 

 

 

Vd. Ferreira, Reinaldo

 

 

 

Ribeiro, Armando, 1881-1949

 

 

 

AAA

História da revolução portuguesa, 1910

Armando Ribeiro (Lisboa, 1881 – ?, 1949)

Armando Ribeiro foi escritor e jornalista. Completou apenas o liceu, tendo ingressado como amanuense na Repartição Central da Direcção-Geral da Contabilidade Pública, do Ministério das Finanças, onde atingiu o cargo de 2.º oficial. Foi afastado da sua carreira das Finanças em 1915 depois da revolução havida nesse ano, regressando em 1916 aos quadros da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos. Como escritor e jornalista, estreou-se em 1897 com um conto publicado no jornal O Século. Para além de ter colaborado assiduamente em jornais como Novidades, Vanguarda, Correio da Manhã e Diário de Lisboa (onde publicou o poema «Canto do cisne», em 27-09-1923), dirigiu o semanário Bijou Ilustrado e fundou, com João da Mata, o semanário político Primeiro de Novembro. Publicou obras de cariz histórico como História de Portugal (4 volumes, s.d.), romances como A conquista do Polo (1909), e peças teatrais como O fonógrafo (s.d.). Na Romano Torres, destaca-se a História da revolução portuguesa. O primeiro volume, dividido em duas partes («O começo do reinado» e «A caminho da República»), saiu em 1910 e foi completado em 1915 com uma nova edição que desenvolvia estas duas partes e adicionava outras quatro dedicadas à República.

Afonso Reis Cabral 20-01-2014

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

História da revolução portuguesa, 1910, 2 v., Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        H.G. 11574 V. e H.G. 11575 V. (BNP); 946.9 RIB (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II) História da revolução portugueza, 1915, 6 v. (vol. 2vol. 3 e vol. 4), Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 18763 V., H.G. 18764 V., H.G. 18765 V., H.G. 18766 V., H.G. 18767 V. e H.G. 18768 V. (BNP)

Bibliografia passiva

«Ribeiro (Armando)», s.d., verbete in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, vol. XXV, p. 577.

 

 

Rodrigues, Guilherme Augusto, 1841-?, também Tradutor

Portugal, dicionário histórico

Portugal, dicionário histórico…

Guilherme Augusto Rodrigues (Lisboa, 1841 – ?)

Escritor e jornalista, viu-se forçado a abandonar os estudos aos 16 anos principalmente por causa da epidemia de febre amarela que atormentava Lisboa em 1857, mas também devido a dificuldades familiares. Continuou, contudo, a dedicar-se ao estudo da literatura e da história, trabalhando também como jornalista para vários periódicos da época. Entre outros, destacam-se os jornais literários O Despertador, Arquivo Literário, O Recreativo e Aurora Literária.

Foi proprietário e redactor, com João Sanguinetti, do jornal Álbum Literário.

Da sua bibliografia, destaca-se a direcção, com João Manuel Esteves Pereira, da enciclopédia Portugal, publicada entre 1904 e 1915 pela Romano Torres. Esta enciclopédia foi caracterizada por Artur Anselmo como «a primeira enciclopédia portuguesa pensada e realizada em termos comerciais, o que explica o facto de ainda hoje continuar a ser lida e procurada» [1].

Também na Romano Torres, traduziu várias obras de Oscar Vaudin, e escreveu um opúsculo intitulado Estudo biographico de Santo Antonio e historia dos seus milagres (1895).

Afonso Reis Cabral 24-01-2014

Bibliografia activa (selecção de obras) 

Autor / editor literário

Estudo biographico de Santo Antonio e historia dos seus milagres, [1895], compilado por Guilherme Rodrigues, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 16728//12 P. e H.G. 17666//7 P. (BNP)

Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico : abrangendo a minuciosa descripção de todos os factos notaveis da história portugueza, etc., etc., obra il. com centenares de photogravuras e redigida segundo os trabalhos dos mais notáveis escriptores, 1904-195, direcção de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Lisboa: João Romano Torres (versão orignial vol. 1 e vol. 2). Localização:        H.G. 52893 V., H.G. 52894 V., H.G. 52895 V., H.G. 52896 V., H.G. 52897 V., H.G. 52898 V. e H.G. 52899 V. (BNP)

Tradutor

Roma galante: chronica escandalosa da côrte dos doze Cesares, Suetónio, trad. de Guilherme Rodrigues, Lisboa: João Romano Torres & Ca. A alegria de amar, 1923, Oscar Vaudin, trad. Guilherme Rodrigues, Lisboa: Ed. João Romano Torres. Localização:        L. 25551 P., L. 35196 P. e TR. 4943 P. (BNP)

Amarguras do amor, 1923, Oscar Vaudin, trad. Guilherme Rodrigues, Lisboa: Ed. João Romano Torres. Localização:        L. 25547 P. e L. 35192 P. (BNP)

O beijo do perdão: romance passional, [1923], Oscar Vaudin, versão de Guilherme Rodrigues, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 25546 P. e TR. 4938 P. (BNP)

A mascara do crime, 1923, Oscar Vaudin, trad. Guilherme Rodrigues, Lisboa: Ed. João Romano Torres. Localização:        L. 35194 P. (BNP)

Os olhos do mal, 1923, Oscar Vaudin, trad. Guilherme Rodrigues, Lisboa: Ed. João Romano Torres. Localização:        L. 25548 P. e L. 35193 P. (BNP)

As garras do ódio, 1924, Oscar Vaudin, trad. Guilherme Rodrigues, Lisboa: Ed. João Romano Torres. Localização:        L. 25550 P. e L. 35195 P. (BNP)

Amor supremo: romance passional, 1925, Oscar Vaudin, versão de Guilherme Rodrigues, Lisboa: Romano Torres. Localização:        L. 15097 V. (BNP)

Bibliografia passiva

Anselmo, Artur, 1997, «O comércio livreiro de cadernetas e fascículos», Leituras, s.3, n.º 1, p. 97-104.

Lisboa, João Luís, 2013, «Au début, le Recreio», Congresso Internacional «A circulação transatlântica dos impressos – Conexões», São Paulo, Universidade de São Paulo (última consulta 21-01-2014).

«Rodrigues (Guilherme)», s.d., verbete in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, vol. XXV, p. 926.


[1] p.  102 (vd. bibliografia).

 

 

 

Rodrigues, Maria Amélia Nunes

 

 

 

Em breve

 

 

 

Rosado, José; também Tradutor

Capa de Pinóquio entre os leões

Capa de Pinóquio entre os leões

José Rosado
(?, ? – ?, ?)

            Ainda que ao todo, com 84 obras nas quais colaborou, José Rosado tenha sido responsável por uma boa parte de toda a produção da Romano Torres, que contou praticamente com um século de existência, o certo é que quase nada sabemos sobre este autor. Tratar-se-á provavelmente de um pseudónimo, embora nenhuma obra de referência até agora consultada possa corroborar esta informação.

Para além de ter escrito em parceria com o capitão Silva Neves [1] a obra 9 de Abril: romance dos portugueses na grande guerra (1925?), e a solo o livro humorístico Não o levarás contigo! (1945), José Rosado destacou-se como tradutor. É de sua autoria, entre outras, a tradução de Ben-Hur, de Lewis Wallace, que contou com cinco reedições.

No entanto, foi no campo da literatura infantil que José Rosado mais trabalhou, tendo assinado vários títulos da colecção «Manecas». Em particular, impressiona a qualidade e quantidade de livros infantis dedicados a Pinóquio, colocando esta personagem em vários pontos do globo e desempenhando várias actividades: Pinóquio entre os elefantes (1947), Pinóquio ás do pedal (1948), Pinóquio caçador (1948), Pinóquio joga a bola (1948), Pinóquio na Arábia (1957), Pinóquio na China (1959), Pinóquio no Japão (1959), etc. Esta série surgiu certamente para tentar aproveitar o desenho animado da Disney, que foi um grande sucesso em 1940.

Afonso Reis Cabral
10-06-2014

 

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

 

Rosado, José, e Silva Neves, [1925?], 9 de Abril: romance dos portugueses na grande guerra, il. Júlio Amorim, Lisboa: João Romano Torres & Ca.
Localização:                       L. 26365 P. (BNP) e EG1239 (Bib. Púb. Mun. de Elvas)

 

Não o levarás contigo! : prosa humorística, 1945, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 36672 P. e L. 96959 P. (BNP)

 

Ben Hur : romance-epopeia, (1966), Lewis Wallace, trad. de José Rosado, 5.ª ed, colecção «Obras escolhidas de autores escolhidos» n.º 19, Lisboa : Livr. Romano Torres, [D.L. 1966]
Localização:        L. 58546 P. (BNP)

 

Para mais obras, consultar catálogo online.


[1] Cf. verbete dedicado a este autor.

 

 

S

 

 

Saint-Maurice, Odette de, 1918-1993

 

Odette de Saint-Maurice

Odette de Saint-Maurice

Odette de Saint-Maurice
(Lisboa, 1918 – Óbidos, 1993)

 

Odette Passos y Ortega Más de Saint-Maurice Ferreira Esteves, mais conhecida como Odette de Saint-Maurice, foi uma escritora de grande sucesso na sua época. Em 1973, era «a escritora mais lida entre os autores [portugueses] vivos»,  segundo um inquérito aos leitores das bibliotecas da Fundação Gulbenkian [1].

Embora tenha nascido em Lisboa, foi criada no Porto. Cursou piano no Conservatório dessa cidade, tendo-se estreado no Rádio Clube Português com apenas 15 anos.

Colaborou desde cedo em jornais como A Voz, Novidades, Diário do Minho, Diário de Notícias, etc.

Na literatura, publicou em 1938, com apenas 20 anos, o livro de contos O canto da mocidade, que Teresa Leitão de Barros apontou como possuindo «exuberante riqueza de fantasia, saudável visão da vida, excelente educação moral, meritória tendência para instruir e dons literários muito prometedores» [2].

Seguiram-se logo vários títulos para as colecções «Manecas», com originais seus como O príncipe das mãos brancas (1940) e A fada sem coração (1940), e «Azul», com romances como Noiva dos meus sonhos (1942) . Através destas colecções, onde continuou a publicar originais e traduções, a Romano Torres esteve presente na sua carreira desde o início.

Odette de Saint-Maurice notabilizou-se sobretudo na literatura infanto-juvenil, em particular junto do público feminino de classe média. Porém, manteve interesse pela música, sua formação de base. Em 1976, lançou o álbum Canções de bem-querer com Frei Vicente, seu segundo marido.

Da sua vasta obra, ganhou especial importância A professora de meus filhos (1946), da Romano Torres, onde relata a vida liceal da época. Também de destaque, a série de 24 livros sobre a família Macedo (1955-1981), em várias editoras.

Foi sogra do maestro Vitorino de Almeida e avó das actrizes Maria e Inês de Medeiros, filhas deste.

É ainda hoje reconhecida como uma autora de destaque na sua época, tendo inclusive uma página no Facebook dedicada a si. Para mais informações, disponibilizamos em baixo um pequeno documentário feito em 2008 aquando dos 15 anos da sua morte.

Afonso Reis Cabral
06-03-2014

Bibliografia activa (selecção de algumas obras)

 

Autora

 

O príncipe das mãos brancas: novela infantil, 1940, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:          P. 11256 P. (BNP)

A fada sem coração: novela infantil original, 1940, ilustrações Júlio de Amorim, colecção «Manecas», Lisboa: Romano Torres.
Localização:          P. 11254 P. (BNP)

Noiva dos meus sonhos: romance, 1942, colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres.
Localização:          L. 34436 P. (BNP); 39/131 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Regresso tardio: romance, 1945, colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres.
Localização:          L. 36690 P. e L. 96583 P. (BNP); 39/26 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)
A professora de meus filhos: romance, 1946, colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres.
Localização:          L. 37348 P. (BNP); 39/147 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Tradutora

Os herdeiros do tio Milex, 1939, colecção «Azul», Max du Veuzit, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:          L. 32604 P. e L. 33291 P. (BNP)

A casa enfeitiçada: romance, Magali, 1940, colecção «Azul», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:          L. 33384 P., L. 33489 P. e L. 34702 P. (BNP); 39/25 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Tudo por ela: romance, 1952, Léo Dartey, colecção «Azul», Lisboa: Edição Romano Torres.
Localização:          39/176 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Bibliografia passiva

 

Nóvoa, António (org.), 2003, verbete in Dicionário de educadores portugueses, Porto: Asa, pp. 757-758.

Perdigão, Henrique, 1940, verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, pp. 868-887.

 

 

 


[1] Apud Dicionário de educadores…, vd. bibliografia.

[2] Apud Dicionário…, vd. bibliografia.

 

Sertório, Carlos

 

 

 

Novellas portuguesas

Novellas portuguesas, 1891

Carlos Sertório (fins do século XIX – ?)

Quase não dispomos de informação sobre este autor, no entanto terá iniciado a sua carreira com Variações na lira (1886-1887). Escreveu depois Esboço crítico da tradução francesa em verso rimado dos Lusíadas por Hyacinthe Garim (1890), o que nos leva a crer que poderá ter desenvolvido actividade como tradutor e/ou crítico literário. Seguiu-se o romance A fascinação do abismo (1891).

Na Romano Torres, publicou apenas a colectânea Novellas portuguezas (1891), dividida em três volumes.

Afonso Reis Cabral 21-01-2014

 

Bibliografia activa

Novellas portuguezas, 1891, 3 vols. Lisboa: João Romano Torres. Localização:        T.R. 5842-43 P. (BNP)

Bibliografia passiva

«Sertório (Carlos)», s.d., verbete in Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, vol. XXVIII, p. 518.

 

 

Silva, César da, 1859-1932

 

 

 

O marechal Sadanha

O marechal Sadanha: romance histórico, 1909

Alfredo Augusto César da Silva (Lisboa, 1859 – Lisboa, 1932)

Formou-se em direito, exercendo o magistério desde os 20 anos. Em 1882, entrou como professor para a Casa Pia, tendo sido também bibliotecário dessa instituição. Enquanto oficial de Mérito Agrícola, dirigiu a partir de 1911 a Colónia Agrícola de S. Bernardo, que pertencia à Casa Pia.

Fez propaganda pelos princípios democráticos e foi correspondente do Instituto de Coimbra, assim como cavaleiro de Sant’Iago da Espada.

A sua obra enquadra-se na vulgarização histórica, tendo escrito vários romances históricos, muitos dos quais para a Romano Torres. Destes, destacam-se os que foram publicados no início do século XX: O marechal Saldanha (1909), Os patuleias (1910), A revolução de 14 de Maio (1915). Fora do romance histórico, a sua experiência na Casa Pia levou-o a publicar a obra Breve história da Casa Pia (com prefácio de Teófilo Braga). Traduziu também História da França, de H. Martin, completando esta obra com um resumo da história de Portugal até 1894.

Afonso Reis Cabral 19-12-2013

 

Bibliografia activa

O marechal Saldanha: romance histórico, 1909, il. por Alfredo Moraes, Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        L. 15022 V. e L. 15022 V. (BNP) Os patuleias, 1910, Lisboa: João Romano Torres & Ca.. Localização:        L. 14127 V. (BNP) A revolução de 14 de Maio, [1915], Lisboa: João Romano Torres. Localização:        H.G. 28852 P. (BNP) O conde de Castelo Melhor: chronica episodica ao reinado de D. Affonso VI, [1922], Lisboa: João Romano Torres Localização:        H.G. 34800 P. e L. 28332 P. (BNP) A derrocada de um trono: cronica dos dois últimos reinados em Portugal (1889-1910), 1922, Lisboa: João Romano Torres & Ca. Localização:        H.G. 11930 P. e H.G. 24618 P. (BNP); HSG 121 (Fund. Calouste Gulbenkian – C. Cult. Paris); 946.9 SILC (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); CP-LP1963a (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II); RES 722 (Univ. Nova Lisboa Fac. Ciên. Sociais Hum.) Execução dos Távoras: crónica episódica: elementos para a reconstituição da época de D. José, 1931, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 23635 P. e L. 23755 P. (BNP), 946.9S579e (Bibl. Seminário Maior do Porto), 946.9″17″ SIL (Univ. Católica Port. – Bibl. João Paulo II)

Bibliografia passiva

Perdigão, Henrique, 1940, «Cesar da Silva, Alfredo Augusto», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina, p. 499.