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A Primeira Guerra Mundial na Romano Torres

A Primeira Guerra Mundial na Romano Torres
Historia da guerra de 1914_FRISO
Ilustração orginal de Ramos Ribeiro para História ilustrada da guerra de 194

Ilustração orginal de Ramos Ribeiro para a História ilustrada da guerra de 1914

Há cem anos, a Primeira Guerra Mundial alterava o curso da história. Em apenas quatro anos, a guerra causou nove milhões de vítimas. Uma intrincada cadeia de alianças políticas desencadeou um dos maiores conflitos que o mundo testemunhara até então, embora a causa tenha sido aparentemente tão pontual como o assassinato de um arquiduque.

No ano em que se comemora o centenário, e na véspera de 9 de Abril, data do início da batalha de La Lys, na Flandres, decidimos elencar, com uma breve descrição, as obras da Romano Torres relativas à Primeira Guerra Mundial.

A Romano Torres começou a editar, antes de 1918, a primeira de três obras sobre o conflito que ainda decorria. A História Ilustrada da Guerra de 1914 é um relato minucioso em cinco densos volumes pela mão de Bernardo de Alcobaça [1]. Importante tradutor de Salgari, Bernardo de Alcobaça foi autor daquela obra, além de ter compilado as frases, pensamentos e episódios da Enciclopédia do Amor (última década do século XIX).

Destaca-se desde logo, no primeiro volume, o relato vivo das acções do grupo Mão Negra, que culminaram com a morte do arquiduque Francisco Fernando em Sarajevo, e a descrição crítica da famosa troca de telegramas entre os primos kaiser Guilherme II e czar Nicolau II. O último capítulo deste volume narra as batalhas a sul do Danúbio.

No segundo volume, acompanhamos primeiro os avanços alemães na frente ocidental e testemunhamos, no fim, a entrada do Império Otomano em guerra.

O terceiro volume aprofunda a descrição do Império Otomano, mas dedica-se mais em específico aos aspectos quotidianos da guerra «de toupeira», designação que o autor atribui às trincheiras.

O quarto volume regressa à frente ocidental, terminando com a terrível batalha de Verdun.

O quinto e último volume alarga a visão do conflito às colónias dos impérios envolvidos, mas conclui algo abruptamente pois o capítulo final, breve, sintetiza os episódios bélicos na frente ocidental durante todo o último ano da guerra.

Esta obra conta com ilustrações de António José Ramos Ribeiro (1888-?) e Alfredo de Morais (1872-1971). Tivemos acesso a um dos originais de Ramos Ribeiro (espólio de Francisco Noronha Andrade) que aqui reproduzimos, curiosamente a ilustração do assassinato do arquiduque Francisco Fernando pela mão de Gavrilo Princip, a 28 de Junho de 1914.

O último volume da História Ilustrada da Guerra de 1914 saiu sem dúvida depois de 11 de Novembro de 1918, já que termina com a descrição do armistício. Assim, estamos perante um relato que foi acompanhando os acontecimentos à medida que se desenrolavam. A segunda edição saiu em 1946.

Capa de um fascídulo de A grande guerra

Capa de um fascídulo de A grande guerra

Em 1919 (?), a Romano Torres voltou ao tema com A grande guerra: crónica episódica e anedótica da conflagração europeia, única obra de Vasco de Lucena na editora. Trata-se de cinco fascículos que relembravam alguns momentos chave do conflito através da perspectiva do soldado, isto é, dando importância à história particular dentro dos grandes movimentos de povos que caracterizam qualquer guerra. As capas dos fascículos contam com um único.

Por último, a Romano Torres deu à estampa em 1925 (?) o livro 9 de Abril: romance dos portugueses na grande guerra, de José Rosado e do capitão Silva Neves. Embora Silva Neves tenha apenas escrito esta obra, o que nos leva a crer que não era escritor de carreira e que provavelmente participara no conflito, José Rosado foi um dos autores mais destacados da Romano Torres, não só como autor da série «Pinóquio», na colecção «Manecas», mas também como tradutor do inglês, com destaque para Walter Scott.

9 de Abril trata-se, como o título dá a entender, de um romance sobre a batalha de La Lys (9 a 29 de Abril de 1918), que gerou cerca de 7000 baixas no exército português, entre mortos, feridos e desaparecidos. Tal como fizera Vasco de Lucena, Silva Neves e José Rosado preferiram narrar o quotidiano e episódios particulares dos soldados, acompanhando o Corpo Expedicionário Português às trincheiras daquela que seria uma das batalhas portuguesas mais desastrosas desde Alcácer Quibir.

9 de Abril

9 de Abril

A ilustração da capa, de Júlio Amorim, marca desde logo o cariz heróico mas ao mesmo tempo individual da obra. De baioneta em punho, um soldado olha para a frente de expressão vazia.

Uma vez que Silva Neves foi militar de carreira e esta a única obra que escreveu, talvez a sua colaboração tenha sido no sentido de ajudar José Rosado a perceber o ambiente, gíria e normas militares que com certeza não dominaria. Não nos arriscamos a dizer, no entanto, que Silva Neves tenha participado na própria batalha de La Lys.

Deste modo, a Romano Torres acompanhou um dos acontecimentos mais marcantes da história mundial, quer através de uma importante publicação de referência como a História Ilustrada da Guerra de 1914, quer através da ficção e apreço por episódios particulares em 9 de Abril e A grande guerra.

Afonso Reis Cabral
7-4-2014

Bibliografia activa

Alcobaça, Bernardo, [191-], História illustrada da guerra de 1914, il. Ramos Ribeiro e Alfredo de Morais, Lisboa: João Romano Torres, 5 vols.
Localização:                       H.G. 5371-75 A.

Lucena, Vasco de, [1919?], A grande guerra: chronica episódica e anedotica da conflagração europea, Lisboa: João Romano Torres, 5 vols.
Localização:                       H.G. 15881 V. (BNP)

Rosado, José, e Silva Neves, [1925?], 9 de Abril: romance dos portugueses na grande guerra, il. Júlio Amorim, Lisboa: João Romano Torres & Ca.
Localização:                       L. 26365 P. (BNP) e EG1239 (Bib. Púb. Mun. de Elvas)

 


[1] Pseudónimo de autor ainda não identificado. Provável homenagem ao monge cisterciense Bernardo de Alcobaça (séc. XV).