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Dia Internacional do Livro Infantil

Dia Internacional do Livro Infantil
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No Dia Internacional do Livro Infantil propomos uma evocação da produção da Romano Torres no âmbito da literatura infanto-juvenil, centrada na colecção «Manecas» e no seu mentor, respectivamente por via duma selecção de capas de livros e do perfil de Henrique Marques Júnior. Lembramos também o artigo «As colecções da Romano Torres», de Daniel Melo.

 

Henrique Marques Júnior

Henrique Marques Júnior

Henrique Vasco da Costa Marques Júnior
(Lisboa, 1881 – Lisboa, 1953)


Filho de Henrique Marques [1] (1859-1933), um publicista, tradutor, editor-livreiro e redactor de jornais como O Correio Português e O Século, seguiu os passos do pai nos meios literários de Lisboa. O pai, que também se destacou como autor de Bibliografia camiliana (1894) e Os editores de Camilo (1925), ter-lhe-á pois incutido o gosto pela literatura e facilitado o acesso aos agentes culturais da época.

Henrique Marques Júnior iniciou o ensino secundário no Porto, onde o pai trabalhava como representante da Livraria António Maria Pereira, e terminou-o em Lisboa, não tendo continuado os estudos. Começou a sua carreira aos 15 anos, traduzindo contos infantis para a revista Branco e Negro. Seguiu-se a tradução e edição, em parceria com o pai na Livraria Moderna, da qual este era dono, da colecção Biblioteca das crianças, que se estendeu por 13 volumes entre 1898 e 1910. A colecção contava com textos de Hans Christian Andersen, Perrault, irmãos Grimm, etc.

Desde a publicação da Biblioteca das crianças, destacou-se como editor literário de várias colecções infanto-juvenis: Biblioteca infantil (1912-1915), na Guimarães; Biblioteca ideal (1921-1922), na Casa Garrett; Biblioteca azul, na Livraria Científica de Lisboa (foi publicado apenas um volume devido à falência da editora); e Biblioteca maravilhosa para crianças (1926-1928).

Na Romano Torres, Marques Júnior destacou-se inicialmente como tradutor, sendo um dos primeiros trabalhos o romance Madalena Férat (1920), de Zola. Das suas traduções, destacam-se um importante número de títulos da colecção «Salgari», a qual também foi traduzida para a Romano Torres pelo seu pai.

No entanto, Marques Júnior destacou-se especialmente como editor literário. Em meados dos anos 20, sugeriu a Carlos de Bregante Torres [2] o lançamento de uma colecção infanto-juvenil. Segundo Maria Teresa Cortez [3], a proposta foi aceite com muitas reservas. No entanto, a colecção, à qual foi atribuído o conhecido nome de «Manecas», granjeou grande êxito, tendo durado aproximadamente 50 anos. Os volumes aí publicados eram geralmente traduções livres e breves (entre 40 a 70 páginas) de autores estrangeiros como Odette de Saint-Maurice, Cervantes, etc., ou textos originais de autores portugueses como Arlete Lopes Navarro, José Rosado, Antero do Amaral, Berta Leite e especialmente Antónia Leyguarda Ferreira.

O sucesso da colecção deveu-se não só à escolha criteriosa de autores, como à própria estratégia editorial: os volumes contavam com ilustrações muito atractivas (Júlio de Amorim, Alfredo de Morais, José Félix, Eugénio Silva e José Leite foram alguns dos ilustradores) e eram postos à venda por quantias muito acessíveis.

Henrique Marques Júnior dirigiu a colecção até meados dos anos 30, tendo sido substituído por Antónia Leyguarda Ferreira, que já contava com experiência como autora.

Depois desta colecção, dedicou-se à Biblioteca infantil “latina” (1942-1946), na Livraria Latina, do Porto.

Sempre apaixonado pela literatura infantil, colaborou com vários periódicos da altura (entre outros, O Ocidente, Serões, ABCezinho, O Sr. Doutor e O Mosquito), assinando por vezes com pseudónimos como Rui de Aboim, Hemarju, Artur de Castro, Hemarju, Vasco da Costa e Vasco Marques.

Henrique Marques Júnior foi, a par de Maria Amélia Vaz de Carvalho e Ana de Castro Osório, um dos principais vultos da literatura infanto-juvenil em Portugal. Não só a promoveu em várias colecções, como também ajudou ao seu estudo com Algumas achegas para uma bibliografia infantil (1928), primeira bibliografia portuguesa relativa a obras deste género.

Afonso Reis Cabral
30-11-2013

 

 

Capa de Eugénio Silva para a colecção «Mencas»

Pinóquio em Hollywood, José Rosado

O príncipe morcego

O príncipe morcego

Os três

Os três anões da floresta

Vasco da Gama

Vasco da Gama, Leyguarda Ferreira

Leyguarda Ferreira - Manecas

O milagre de Fátima, Leyguarda Ferreira

 

 

Bibliografia activa (selecção das obras)

Tradutor

Madalena Férat: romance sentimental, 1920, Emílio Zola, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        840 ZOL FER (Univ. Católica Bib. João Paulo II)

As filhas dos faraós, 1921, Emílio Salgari, Lisboa: João Romano Torres. Localização:        L. 21640 P. (BNP)

A pérola de Labuan, 1924, Emílio Salgari, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 30694 P. (BNP)

O segredo de Montjoya: romance, 1935, Max du Veuzit, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 27338 P. e L. 27851 P. (BNP)

Casamento tentador: romance, 1936, Max du Veuzit, 2.ª ed., colecção «Azul», Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 40732 P. e L. 95610 P. (BNP); 39/107 (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa)

Editor literário

A gata borralheira, 1925, aut. Henrique Marques Júnior, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 20937//4 P. (BNP)

O gigante dos cabelos d’ouro e outros contos de fadas, 1925, Henrique Marques Júnior, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 24333//1 P. (BNP) e L. 28649//5 P. (BNP)

Aventuras de D. Quixote contadas às crianças, 1927, Miguel de Cervantes Saavedra, trad. Henrique Marques Júnior, colecção Manecas, Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 26308//12 P. (BNP)

As aventuras da princesa Ladina, [193-], autores Leyguarda Ferreira e Henrique Marques Júnior, Lisboa: Romano Torres.
Localização:        L. 35088//3 P. (BNP)

O príncipe morcego e outros contos, 1934, Leyguarda Ferreira, il. de Alfredo Morais, colecção «Manecas», Lisboa: João Romano Torres.
Localização:        L. 26887//3 P. (BNP)

Bibliografia passiva

Cortez, Maria Teresa, 2007, «Henrique Marques Júnior e as “Bibliotecas” infantis e juvenis», Estudos de tradução em Portugal: Livros RTP-biblioteca básica Verbo – II / Colóquio Traduções no Coleccionismo Português do Século XX, realizado na Universidade Católica Portuguesa em 24 e 25 de Novembro de 2005, org. Teresa Seruya, Lisboa: Universidade Católica Editora, pp. 169-181.

«Infantil, Literatura», 1992, verbete in Dicionário de literatura, vol. II, Porto: Figueirinhas, pp. 468-474.

«Marques Júnior, Henrique», 1990, verbete in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. III, Lisboa: Publicações Europa-América, pp. 245-246. Perdigão, Henrique, 1940,

«Marques Júnior, Henrique», verbete in Dicionário universal de literatura, 2.ª ed., Porto: Latina. Vieira, Pedro Almeida, resenha biográfica no site Bibliohistória (última consulta a 30-12-2013).


[1] Vide resenha dedicada a este autor.
[2] Vide resenha dedicada a A. Duarte de Almeida, pseudónimo de Carlos de Bregante Torres.
[3] Cf. p. 175 (vd. bibliografia).